Um tubarão-cabeça-chata, com cerca de três metros de comprimento, foi provavelmente o animal que atacou e matou o adolescente Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, na praia de Del Chifre, em Olinda, nesta quinta-feira (29).
Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a mordida na coxa direita do jovem, com 33 cm de diâmetro, tem características que indicam ser de um tubarão dessa espécie. Eles observaram que a lesão tinha partes lisas e outras retalhadas, típicas dos dentes desse tipo de tubarão, que é comum na região.
O local do ataque, próximo a estuários e áreas com influência de rios, favorece a presença desse tubarão, que gosta de habitats costeiros e estuarinos.
O jovem foi socorrido por banhistas e levado para o Hospital do Tricentenário, em Olinda, mas não resistiu. O médico Levy Dalton informou que Deivson chegou ao hospital já sem vida devido à perda de muito sangue causada pela mordida.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a vítima já havia sido retirada do local pelos moradores, como mostra um vídeo onde dois homens carregam o adolescente enquanto outros chamam uma ambulância.
O Cemit monitora a praia de Del Chifre desde a década de 1990, e a área é sinalizada com placas de alerta para a presença de tubarões. No litoral de Pernambuco, 150 dessas placas foram colocadas, sendo 13 em Olinda e quatro na praia onde ocorreu o ataque.
Autoridades do governo de Pernambuco visitaram o hospital para oferecer apoio à família e coletar informações sobre o caso.
Histórico de ataques na região
Em fevereiro de 2023, um surfista de 32 anos foi gravemente ferido por um tubarão na mesma praia, mas sobreviveu após atendimento médico.
Desde 1992, Pernambuco registrou 80 ataques de tubarões, com 26 mortes, principalmente na área do Grande Recife e em Fernando de Noronha.
Medidas de prevenção
O governo do estado anunciou que vai retomar o monitoramento dos tubarões no litoral, especialmente em um trecho de 33 km entre Cabo de Santo Agostinho e Olinda. O projeto incluirá o uso de microchips para rastrear os animais e prevenir novos ataques.
Esse investimento, de mais de um milhão de reais, terá duração de 24 meses e visa atualizar os dados sobre a presença de tubarões, identificar áreas de risco e melhorar a comunicação e a segurança nas praias.
Atualmente, o rastreamento contínuo ocorre apenas em Fernando de Noronha, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), mas será ampliado para todo o litoral continental pernambucano.
