19.5 C
Brasília
quarta-feira, 11/02/2026

Jovem de Mariana luta por reparação dez anos após desastre

Brasília
aguaceiros fortes
19.5 ° C
19.5 °
19.5 °
94 %
4.1kmh
75 %
qua
20 °
qui
22 °
sex
25 °
sáb
26 °
dom
27 °

Em Brasília

Na noite de 5 de novembro de 2015, Mirella Regina de Sant’Ana, que tinha 17 anos, estava na escola em Mariana (MG) quando soube do rompimento da barragem de Fundão. A lama cheia de sujeira rapidamente invadiu sua casa em Ponte do Gama, uma área rural da cidade, fazendo com que a família tivesse que sair com pressa. No dia seguinte, Mirella encontrou a mãe e viu que sua casa estava coberta pela lama, misturando teto e lembranças com a sujeira do desastre.

Agora, aos 28 anos, Mirella transformou essa perda em luta. Ela faz parte da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão e participa de reuniões judiciais e acordos para garantir que as comunidades rurais recebam uma compensação justa, pois muitas vezes elas são esquecidas. Criada perto da barragem, Mirella teve que se mudar para a cidade de Mariana, onde começou a lidar com termos como cadastro, indenização e audiências. Aos 19 anos, entrou na comissão, participando de várias reuniões para proteger a vida das pequenas comunidades.

“Não foi só a casa. A lama acabou com nosso jeito de viver”, disse Mirella, mostrando a importância do território e do modo de vida das pessoas afetadas. Atualmente, ela estuda serviço social em Ouro Preto (MG), motivada por entender o sofrimento como uma questão de direitos que envolvem toda a comunidade.

Recentemente, Mirella participou do 1º Encontro Regional do Programa de Fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (ProFort-SUAS) no Rio Doce, em Ouro Preto. O evento reuniu gestores, trabalhadores do SUAS e atingidos de 15 cidades. O programa oferece R$ 640 milhões em 20 anos para 49 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo afetados pelo desastre, focando na ajuda a quem mais precisa. A primeira ajuda, de R$ 25 milhões, foi enviada em 2025.

Para Mirella, esse programa mostra que a reparação é uma política pública permanente. “A assistência social não é favor. É proteção. É um direito garantido”, disse, citando o secretário André Quintão, do Ministério do Desenvolvimento Social. O rompimento afetou cerca de 2,3 milhões de pessoas em dois estados, aumentando desigualdades e dificuldades.

Quando pensa no futuro, Mirella sente um pouco de incerteza. A tragédia levou sua adolescência e parte de quem ela era. “Aquela Mirella de 17 anos não existe mais. Eu tive que crescer rápido por causa desse momento difícil”, explicou. Mesmo assim, a esperança continua. “Metade da minha vida já foi marcada por essa luta. O maior objetivo é sempre uma reparação justa. E é por isso que continuaremos lutando”, concluiu.

*Com informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

Veja Também