Brasília perdeu uma importante jornalista na última segunda-feira, dia 17 de agosto. Aos 77 anos, Zenaide Azeredo faleceu deixando uma carreira marcada por seu trabalho em diversas fontes de notícias e sua dedicação à cobertura de assuntos militares e políticos da capital federal.
Zenaide destacou-se especialmente por acompanhar de perto momentos históricos importantes, como a transição do regime militar para a democracia no Brasil durante os anos 1980, consolidando respeito entre seus colegas e fontes militares.
O jornalista Ivan Godoy, que trabalhou ao lado dela naquela época, lembra que ela tinha um excelente conhecimento do tema militar e uma postura firme e precisa na Comunicação, conquistando o respeito até mesmo daqueles que eram foco de suas reportagens.
Rotina intensa e respeito entre concorrentes
Zenaide Azeredo também teve uma relação profissional de concorrência amistosa com a jornalista Tânia Monteiro, pois ambas perseguiam as mesmas informações nos ministérios militares e no Exército, cruzando caminhos frequentemente na busca por notícias exclusivas.
Tânia destaca que Zenaide era combativa e crítica nas entrevistas, mas sempre mantinha uma postura respeitosa, ganhando admiração mesmo daqueles que não concordavam com suas opiniões.
Experiência na assessoria de imprensa do Ministério da Defesa
A vasta experiência adquirida na cobertura militar levou Zenaide a ocupar, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o cargo de primeira assessora de imprensa do recém-criado Ministério da Defesa. Ela lutou para que a sala da assessoria ficasse próxima ao gabinete do ministro, garantindo acesso direto e eficiente à informação.
Compromisso com múltiplos temas
Zenaide não atuou apenas na área militar; também cobriu assuntos relacionados aos povos indígenas e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Foi integrante do movimento Brasília-Mulher, participando das discussões para a criação do Ministério das Mulheres.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal ressaltou seu legado de ética, precisão e respeito pela história nacional.
A jornalista também trabalhou na comunicação da Secretaria de Previdência Complementar durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Tânia Monteiro lembra que Zenaide foi parte de uma geração de mulheres que enfrentaram e superaram barreiras para conquistar seu espaço no jornalismo.
O velório e sepultamento acontecerão na quinta-feira, 20 de agosto, às 9 horas, no Cemitério Campo da Esperança, região da Asa Sul, em Brasília.
