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segunda-feira, 26/01/2026

Japão libera usina nuclear maior do mundo para voltar a operar

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O Japão deu um passo decisivo para permitir que a maior usina nuclear do planeta volte a funcionar, quase 15 anos após o acidente de Fukushima, com a autorização das autoridades locais.

A assembleia legislativa da província de Niigata aprovou nesta segunda-feira (22/12) uma decisão do governador Hideyo Hanazumi, anunciada no mês anterior, que autoriza o recomeço das operações na usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa.

A usina Kashiwazaki-Kariwa, localizada cerca de 220 quilômetros a noroeste de Tóquio, estava entre os 54 reatores que foram desligados após o terremoto e tsunami de 2011 que paralisaram a usina nuclear de Fukushima, o pior desastre nuclear desde Chernobyl.

Desde então, o Japão reiniciou 14 dos 33 reatores que ainda são operacionais no país, buscando diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados, atingir a neutralidade de carbono até 2050 e suprir a crescente demanda energética gerada pelo avanço da inteligência artificial.

Primeira usina da Tepco a reativar

A Kashiwazaki-Kariwa será a primeira usina nuclear operada pela Tokyo Electric Power Company (Tepco) a retomar suas atividades desde o desastre de Fukushima, já que a Tepco era a responsável pela usina afetada pelo tsunami.

Apesar da forte oposição da população, o órgão regulador nuclear do Japão considerou os reatores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa seguros em 2017, declarando que eles cumprem os padrões de segurança mais rigorosos estabelecidos após o acidente em Fukushima.

Com a autorização concedida, a mídia local informou que o reator 6 poderá ser ligado já no próximo mês.

A Tepco há muito tempo busca a aprovação para reativar seus reatores nucleares, a fim de diminuir os elevados custos de importação de combustível para a geração de energia térmica.

Divisão entre a população

Embora os legisladores tenham apoiado a decisão de Hanazumi, a última sessão da assembleia do ano expôs as divisões da comunidade sobre o retorno das operações, mesmo diante da criação de empregos e da possibilidade de tarifas de energia mais baixas.

“Isso não é mais do que um acordo político que desconsidera a opinião dos moradores de Niigata”, afirmou um membro da assembleia contrária à retomada, pouco antes da votação.

Do lado de fora, cerca de 300 manifestantes ficaram sob o frio, com faixas dizendo “Não às armas nucleares”, “Somos contra o retorno das operações de Kashiwazaki-Kariwa” e “Apoio a Fukushima”.

“Estou realmente indignado”, declarou Kenichiro Ishiyama, um manifestante de 77 anos da cidade de Niigata, à agência Reuters após a votação. “Se algo acontecer na usina, seremos nós que pagaremos o preço.”

Segundo uma pesquisa divulgada pela administração local em outubro, 60% da população da área não acredita que as condições para o reinício foram cumpridas, enquanto quase 70% manifestam preocupação de que a Tepco seja a responsável pela usina.

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