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Economia

Itaú reduz previsão de crescimento do PIB para 2027 e espera inflação alta

Divulgação

O Itaú revisou para baixo sua previsão de crescimento da economia brasileira para 2027, esperando um aumento do PIB de apenas 0,5%, ante a projeção anterior de 1,2%. A expectativa para a inflação também foi elevada, indo para 6,1%, acima do teto de 4,5% estabelecido pelo Banco Central.

Para 2026, as previsões pioraram menos, com crescimento do PIB ajustado de 1,7% para 1,6% e inflação de 5,2% ante 5,1% estimado antes.

A equipe econômica do banco prevê uma atividade econômica mais fraca e pressões maiores nos preços. A projeção é que o Copom mantenha a taxa Selic em 13,75% durante todo 2027, diferente da previsão anterior de 12,5% ao fim do ano.

As alterações na previsão do IPCA para 2027 refletem mudanças tributárias e regulatórias incorporadas ao cenário base, além de um dólar mais alto em média.

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No setor de combustíveis, o banco considera a volta da cobrança de PIS/Cofins sobre a gasolina, o fim da subvenção ao diesel no segundo semestre e o reajuste do ICMS já anunciado.

O Itaú também incluiu os efeitos da reforma tributária sobre os preços e as mudanças na jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1, aprovados recentemente, no custo da mão de obra.

Dados recentes mostraram alta nos preços dos alimentos e serviços no final do ano, enquanto os bens industriais mantêm uma desaceleração.

O banco destaca que há mais riscos para cima, principalmente por um cenário de dólar mais desvalorizado e petróleo mais caro, o que repassa pressão nos preços dos combustíveis. Por outro lado, a manutenção de subsídios e gratuidade no transporte público em determinados dias são fatores que podem reduzir a inflação.

Para o terceiro trimestre, o PIB teve uma queda de 0,1% em relação aos três meses anteriores, conforme cálculo do Itaú, um desempenho abaixo das expectativas. Em 2025, o índice teve alta de 1,4% nesse período.

Essa retração não é vista como um evento isolado, mas sim como uma desaceleração prolongada da demanda interna, causada pelo fim dos estímulos fiscais e pelo prolongado período de juros altos.

Em 2027, a manutenção de uma taxa Selic elevada deve afetar consumo, investimento e crédito, agravada pelo alto endividamento das famílias e empresas e pela inflação mais alta, que impacta especialmente a renda das pessoas com menor poder aquisitivo.

O banco manteve a projeção de desemprego para 2026 em 5,7% e elevou a previsão para 2027 de 6,2% para 6,5%.

A previsão para o dólar foi revisada para cima, com valores de R$ 5,40 em 2026 e R$ 5,60 em 2027, ante os R$ 5,30 e R$ 5,50 estimados anteriormente.

O relatório também destaca que as incertezas sobre a dívida pública reforçam a necessidade de um ajuste fiscal importante, estimado em cerca de 4 pontos percentuais do PIB, focado no controle de gastos públicos.

Segundo o Itaú, dois fatores podem mudar o cenário dos juros: uma desvalorização mais forte do real ou piora nas expectativas, que poderiam levar o Banco Central a subir a Selic, ou uma desaceleração maior da economia e um ajuste fiscal mais próximo do real, que permitiriam cortes graduais.

O banco ressalta que uma política fiscal confiável é essencial para a eficácia da política monetária e para reduzir os juros reais de forma estrutural.

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