O Irã realizou neste sábado (28/6) um funeral de Estado para cerca de 60 oficiais seniores e cientistas nucleares que foram mortos por Israel durante o conflito iniciado em 13 de junho. A cerimônia aconteceu no quinto dia de uma trégua delicada entre Teerã e Tel Aviv, e em meio a recentes ameaças feitas ao país pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Pela manhã, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, respondeu às últimas declarações do líder americano, que havia afirmado ter protegido o aiatolá iraniano Ali Khamenei de um atentado.
“Se o presidente Trump quer realmente um acordo, deveria abandonar sua postura desrespeitosa e inaceitável contra o líder supremo iraniano, o grande aiatolá Khamenei, e parar de ferir seus milhões de apoiadores”, afirmou Araghchi em sua conta na rede social X.
“O valoroso povo iraniano demonstrou ao mundo que o regime israelense não teve outra alternativa senão pedir ajuda para evitar ser destruído pelos nossos mísseis, e esse povo não aceita ameaças ou insultos”, completou o ministro.
Trump afirmou em uma cúpula da Otan em Haia que as negociações seriam retomadas na semana seguinte, mas Araghchi rejeitou a ideia de Teerã voltar a negociar com Washington.
Na sexta-feira (27/6), o presidente dos EUA declarou que consideraria bombardear o Irã novamente se houvesse evidências de que o país estava produzindo urânio em quantidade para fabricar armas nucleares.
Em sua plataforma Truth Social, Trump criticou duramente Teerã por afirmar ter saído vitorioso do conflito contra Israel, e anunciou a suspensão de negociações sobre a possível redução das sanções contra o país, medida que vinha sendo avaliada pelo governo americano.
Ele acusou o líder iraniano de ingratidão, depois que o aiatolá Khamenei minimizou os danos causados pelos ataques americanos às instalações nucleares do país e afirmou que os Estados Unidos foram derrotados.
“Eu sabia exatamente onde ele estava escondido e não permiti que Israel ou as Forças Armadas dos EUA, as maiores e mais poderosas do mundo, tirassem sua vida”, declarou Trump.
“Eu o salvei de uma morte muito terrível e vergonhosa, e ele não agradeceu”, acrescentou. “Em troca, recebi uma resposta cheia de raiva, ódio e repulsa, e imediatamente interrompi todo o trabalho de flexibilização das sanções, entre outras ações”, finalizou, pedindo que o Irã retome as negociações sobre seu programa nuclear.
Em Teerã, o dia foi marcado por homenagens e um forte sentimento de vingança pela morte dos oficiais e cientistas. A televisão estatal mostrou uma multidão acompanhando o cortejo dos “mártires da guerra imposta pelo regime sionista”.
Os caixões estavam cobertos por bandeiras iranianas e fotos dos militares mortos em seus uniformes. O oficial de maior patente entre eles era Mohammad Bagheri, importante general responsável pelo exército, pela Guarda Revolucionária e pelo programa de mísseis nuclear, que atuava sob a direção do líder supremo.
O cortejo saiu da Praça Enghelab (Revolução) em direção à Praça Azadi (Liberdade), percorrendo cerca de 11 quilômetros. O presidente iraniano, Massud Pezeshkian, participou das cerimônias, assim como o general Esmail Qaani, chefe da Força Quds, braço externo da Guarda Revolucionária.
Ali Shamkhani, conselheiro do aiatolá Khamenei e ferido na guerra, foi visto apoiado em uma bengala. Nas ruas, milhares de iranianos agitavam bandeiras e brandiam punhos cerrados, com faixas dizendo “Boom, boom Tel Aviv”, numa referência aos mísseis lançados contra Israel em retaliação.
Israel iniciou o conflito em 13 de junho com o objetivo de impedir que o Irã construísse uma bomba atômica — algo que o país nega. Segundo o Ministério da Saúde iraniano, cerca de 627 civis morreram e quase 4,9 mil ficaram feridos no conflito de 12 dias.
Em retaliação, ataques iranianos deixaram 28 mortos em Israel, conforme autoridades locais.
Os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas na noite de 21 para 22 de junho, unindo-se às operações israelenses.
