O príncipe herdeiro exilado do Irã, Reza Pahlavi, fez um apelo para que os manifestantes retornem às ruas do país, intensificando a resistência contra a repressão do governo vigente. Essa convocação acontece durante um cenário de caos no Irã, marcado pelo 13º dia consecutivo de protestos e um apagão de internet que atingiu diversos sites, incluindo plataformas governamentais e agências estatais, atualmente fora do ar.
“Aqueles que estavam hesitantes, juntem-se aos seus compatriotas na noite de sexta-feira e ampliem as manifestações para enfraquecer o poder repressivo do regime. Também encorajo os líderes das regiões a conectar as diferentes rotas das multidões para fortalecê-las, pois sei que mesmo com os cortes na internet e nas comunicações, vocês não abandonarão as ruas”, declarou Reza Pahlavi em sua mensagem no X.
A Organização Não Governamental de direitos humanos do Irã, sediada na Noruega, relatou que pelo menos 45 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança, incluindo oito menores de idade. A quarta-feira foi o dia mais violento desde o início dos protestos na capital, Teerã, contabilizando pelo menos 13 mortes.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e herdeiro da dinastia Pahlavi, afirmou que o regime do aiatolá Ali Khamenei ordenou o apagão da internet para dificultar a continuidade dos protestos, embora ainda não haja confirmação oficial dessa determinação. Análises indicam que o desligamento foi implementado pelo Comando Cibernético da Guarda Revolucionária Islâmica.
“Apesar dos esforços do regime, sei que vocês não irão desistir das ruas. A vitória pertence a vocês”, reforçou o príncipe exilado.
Os protestos em Teerã são motivados pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela população, agravadas pela desvalorização da moeda nacional, o rial, que elevou o custo de vida. O movimento iniciou em 28 de dezembro e ganhou força após o fechamento de um mercado popular. As sanções internacionais também contribuíram para a crise econômica, ainda agravada pelos conflitos regionais recentes.
Várias cidades, como Tabriz e Bandar Abbas, registraram fechamento de comércios e protestos, conforme divulgado por organizações não governamentais e ativistas nas redes sociais.
O governo de Teerã classifica os protestos como uma tentativa de desestabilização promovida por agentes externos, inclusive acusando os Estados Unidos de financiar os distúrbios. Por sua vez, o presidente americano Donald Trump declarou que poderia intervir para proteger os manifestantes e advertiu que o Irã pode sofrer sanções severas caso a repressão continue.
