Na terça-feira, 6 de janeiro, a polícia iraniana utilizou gás lacrimogêneo para dispersar dezenas de manifestantes no bazar de Teerã que protestavam contra o governo. Organizações não governamentais e vídeos nas redes sociais confirmam que, desde o início dos protestos no final de dezembro, pelo menos 36 pessoas perderam a vida, incluindo cinco menores, segundo a Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega.
Esses manifestantes foram mortos por disparos ou outras ações violentas atribuídas a forças de segurança em oito províncias diferentes. Mais de mil pessoas já foram detidas durante essa onda de manifestações.
Durante os protestos, os manifestantes gritavam frases como “Pahlavi voltará”, em referência à antiga dinastia deposta pela Revolução Islâmica de 1979, e “Seyyed Ali será derrubado”, direcionado ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Também ouviam-se clamores por liberdade e acusações de desonra contra o governo.
Imagens mostram as forças de segurança utilizando bombas de gás lacrimogêneo, o que forçou a dispersão da multidão no bazar, uma importante área comercial que teve parte do comércio interrompido como forma de protesto contra a alta das moedas estrangeiras e a instabilidade econômica.
Apesar de a agência oficial de notícias Fars mencionar apenas algumas “reuniões esporádicas” dispersas pela polícia, o número de manifestantes pode ter chegado a aproximadamente 150 pessoas.
Esses protestos começaram vinculados ao aumento do custo de vida e rapidamente se espalharam por várias províncias. Eles são os maiores desde as manifestações de 2022 provocadas pela morte de Mahsa Amini, que havia sido detida por violar o rigoroso código de vestimenta feminino.
Atualmente, o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989, enfrenta um desafio significativo com esses protestos, em meio a um país fragilizado por conflitos recentes e sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear.
As tensões internas e externas fazem deste um momento crítico para o Irã e sua liderança.
