Irã executa condenados por protestos contra governo
O Irã anunciou recentemente a execução dos primeiros presos condenados por participarem dos protestos em massa contra o governo do país, que ocorreram em janeiro. Os condenados foram acusados de matar agentes de segurança durante os atos.
Segundo informações da agência Mizan, ligada ao Judiciário iraniano, os três indivíduos executados foram Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi. Eles foram sentenciados à morte por assassinato e por ações consideradas operacionais a favor de Israel e dos Estados Unidos, qualificadas pelo regime como moharebeh, um termo legal para crimes contra a segurança pública, o islã e espionagem.
A justiça iraniana afirmou que os acusados atacaram agentes de segurança com armas brancas e confessaram os crimes durante o processo judicial. As execuções aconteceram na cidade de Qom, após o Supremo Tribunal confirmar as sentenças e a conclusão dos procedimentos legais, com presença dos advogados de defesa.
Os protestos que pediam o fim da República Islâmica foram esmagados com uma repressão severa, que provocou a morte de milhares de pessoas, conforme dados oficiais e estimativas de organizações de direitos humanos, que indicam um número muito maior de vítimas. Milhares de manifestantes também foram detidos.
Em um contexto de forte pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, o governo iraniano realizou inúmeros julgamentos e execuções relacionadas aos protestos, com cerca de 1.500 execuções somente no ano de 2025, um aumento expressivo comparado ao ano anterior.
Execução de espião sueco
Além das execuções dos condenados pelos protestos, um cidadão sueco também foi executado sob acusação de espionagem para Israel. A ministra do Exterior da Suécia, Maria Malmer Stenergard, confirmou a morte do homem, que teria sido preso durante o conflito do ano passado entre Irã e Israel. De acordo com relatos, ele teria recebido treinamento em vários países europeus e em Tel Aviv.
O Irã não reconheceu a cidadania sueca do indivíduo e negou acesso consular à Suécia durante o processo.
Nas últimas semanas, centenas de outras pessoas foram presas sob suspeita de colaborarem com inimigos do regime, incluindo países ocidentais.
Esta foi a primeira execução pública anunciada após ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos no final de fevereiro, aumentando a tensão na região.
O cenário atual aponta para um aumento da repressão e das medidas punitivas pelo Irã contra qualquer oposição política e atividade contrária ao regime vigente.
