Irã bloqueia internet para reprimir protestos, dizem moradores
Desde o final de dezembro, o Irã enfrenta intensos protestos que têm sido duramente reprimidos pelas autoridades. Moradores relatam que o governo cortou o acesso à internet como forma de controlar a situação e agir contra os manifestantes com maior liberdade.
Segundo testemunhas na fronteira entre o Irã e a Turquia, a cidade de Kapiköy tornou-se uma das poucas fontes de informações não controladas, já que o acesso à internet no Irã está praticamente suspenso há vários dias, dificultando a comunicação e as denúncias sobre a repressão.
Zahra, moradora de Teerã, descreve o momento em que a internet foi cortada: “No dia 8 de janeiro, estávamos jantando quando a conexão caiu completamente. Foi a partir daí que a violência estatal se intensificou, com as autoridades usando o silêncio digital para agir impunemente contra os manifestantes”.
A repressão tem sido violenta em várias cidades, incluindo a capital e Tabriz, no norte do país, onde denúncias falam em espancamentos, prisões e tiroteios. Grupos paramilitares e a polícia utilizam armas de fogo contra quem protesta, gerando um cenário de medo e insegurança.
Organizações independentes estimam milhares de mortos e detidos, embora o governo apresente números menores e atribua os protestos a interferências externas.
Reza, residente de Teerã, afirma que conhece várias vítimas, evidenciando a gravidade da repressão: “Muitos amigos e parentes foram mortos ou desaparecidos. O regime perdeu toda a legitimidade diante do povo”.
Os manifestantes exigem o fim do governo autoritário, mesmo sob o temor constante de represálias. O futuro do país permanece incerto, com esperança e resistência crescendo apesar da dura repressão.
