O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) analisou que diminuir a jornada de trabalho para 40 horas por semana teria um efeito semelhante aos reajustes habituais no salário mínimo. Segundo o estudo divulgado em 10 de dezembro de 2023, o custo médio do trabalho para um trabalhador celetista subiria cerca de 7,84% com essa mudança. Apesar disso, quando esses números são avaliados globalmente, o impacto total nos custos é menor.
Por isso, os especialistas afirmam que a maioria das empresas conseguiria lidar com essa alteração. “Os custos dessa possível redução da jornada para 40 horas semanais são parecidos com os efeitos dos aumentos históricos do salário mínimo no Brasil, mostrando que o mercado de trabalho pode absorver essa mudança”, explicou o instituto.
O estudo revelou que dos 44 milhões de trabalhadores celetistas registrados em 2023, cerca de 31,8 milhões trabalham 44 horas por semana. Em 31 de 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos funcionários têm jornadas superiores a 40 horas. Grandes setores como indústria alimentar e comércio atacadista e de veículos teriam aumento de custos em menos de 1%.
Aproximadamente 10 milhões de empregos estão em atividades onde o custo da mão de obra aumentaria mais de 3%, e 3 milhões em setores com aumento superior a 5%.
Para setores como indústria e serviços, o impacto estimado no custo operacional seria inferior a 1%. Embora alguns segmentos precisem de atenção especial, a maioria conseguiria suportar essa mudança.
Felipe Pateo, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, comentou: “Limitar a carga horária eleva o custo por hora trabalhada. Os empresários podem reagir de várias formas, como reduzir produção, aumentar produtividade ou contratar mais funcionários”.
Empresas de serviços, como limpeza e vigilância, seriam mais afetadas devido ao alto custo de mão de obra. Para o setor de vigilância, segurança e investigação, o custo operacional pode subir até 6,6%, segundo o estudo.
Os autores do estudo reforçam que o aumento do custo do trabalho não significa necessariamente queda na produção ou mais desemprego, baseando-se no histórico dos reajustes do salário mínimo nos últimos 20 anos, que não trouxeram efeitos ruins ao emprego.
Estadão Conteúdo.
