Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais é viável e não traria grandes impactos negativos ao mercado de trabalho.
Os custos dessa mudança seriam parecidos com aqueles observados em aumentos históricos do salário mínimo no Brasil, indicando que o mercado pode absorver a medida.
A pesquisa destaca que setores como indústria e comércio teriam aumento de custo menor que 1%, enquanto serviços que precisam de mais trabalhadores, como vigilância e limpeza, podem precisar de ajuda do governo para a adaptação.
Felipe Pateo, pesquisador do Ipea, explica que o custo do trabalhador representa uma parcela pequena do custo total das empresas, o que torna a transição mais fácil para grandes negócios, mas para pequenas empresas a adaptação pode ser mais difícil e precisar de tempo e flexibilidade, como a contratação de trabalhadores em meio período.
Além disso, a redução da jornada pode ajudar a diminuir desigualdades, já que trabalhadores que fazem 44 horas por semana geralmente ganham menos e possuem menor escolaridade. Com a mudança para 40 horas, o valor da hora trabalhada desses empregados aumentaria, melhorando suas condições.
A remuneração média de quem trabalha até 40 horas semanais é cerca de R$ 6.200, enquanto quem trabalha 44 horas ganha menos da metade, e muitos desses trabalhadores têm até ensino médio completo.
Os dados de 2023 mostram que 74% dos trabalhadores celetistas têm jornada de 44 horas, e a prática é mais comum em empresas menores, que podem enfrentar mais dificuldades para ajustar as escalas de trabalho.
O debate sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1 está em pauta no Congresso, com propostas em análise. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou que a votação do tema pode acontecer em maio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu o assunto entre as prioridades do governo.
