Brasília e São Paulo, 26 – A queda de 0,40% no IPCA-15 de agosto aumenta as chances de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decida por um novo corte na taxa Selic antes das eleições. Além disso, indica que o ciclo de redução dos juros pode continuar em novembro, após o resultado das urnas.
Esses dados afastam a ideia de que o Copom poderia reverter o ciclo de queda dos juros e optar por uma política mais rígida. Atualmente, a curva de juros aponta 88% de chance de redução de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, enquanto para novembro, há 70% de chance de manutenção e 30% de novo corte de 0,25 ponto percentual.
Embora os números sejam positivos, há desafios pela frente para manter a inflação sob controle. O cenário externo permanece instável e o impacto do fenômeno climático El Niño sobre os preços ainda é incerto e geralmente considerado pequeno.
Especialistas divergem sobre os efeitos do El Niño nos preços agrícolas no Brasil, um país com dimensões continentais. Para algumas culturas, a menor quantidade de chuva pode até ser benéfica. Alguns analistas revisaram suas opiniões e acreditam que o fenômeno pode ser menos severo do que o previsto inicialmente.
No Questionário pré-Copom (QPC) de agosto, os participantes indicaram que o impacto do El Niño no IPCA de 2026 foi estimado em 0,3 ponto percentual, e em 0,4 ponto percentual para 2027. Parte desse efeito já foi considerada, com medianas de 0,2 ponto para 2026 e 0,2 ponto para 2027.
O IPCA-15 de agosto ficou no limite inferior das estimativas do Projeções Broadcast, confirmando a tendência de desaceleração da inflação, com surpresas positivas em itens como alimentação no domicílio, passagens aéreas, produtos naturais e cigarros. A média dos núcleos de inflação também melhorou ligeiramente.
O resultado do índice em 26 de agosto tem levado a revisões para baixo nas previsões do IPCA de agosto, embora os serviços subjacentes continuem preocupando. Para os juros, o resultado mais favorável, junto com a desaceleração recente da atividade econômica, mantém a tendência de reduções na taxa Selic.
Assim, a análise atual indica inclinação para uma redução da Selic na próxima reunião do Copom, com o mercado atribuindo chances significativas a um novo corte na reunião seguinte.
Colaborou Caroline Aragaki
Estadão Conteúdo
