MATHEUS DOS SANTOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A inflação medida pelo IPCA-15, que é o índice que mostra a variação média dos preços para o consumidor em 15 dias, cresceu 0,44% em março. Esse valor é menor que o registrado em fevereiro, que foi de 0,84%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O número divulgado ficou acima da expectativa dos analistas do mercado financeiro, que previam um aumento de 0,29%. As previsões variaram entre 0,22% e 0,35%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 também desacelerou, passando de 4,1% em fevereiro para 3,9% em março.
O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA oficial e serve para indicar a tendência da inflação no país. O IPCA é o índice principal que mede a inflação no Brasil e é usado como referência para a meta de inflação definida pelo Banco Central.
A diferença entre esses dois índices está no período de coleta dos dados: o IPCA-15 recolhe informações da segunda metade do mês anterior até a primeira metade do mês de referência, enquanto o IPCA coleta ao longo de todo o mês.
A meta do Banco Central para a inflação medida pelo IPCA é de 3% ao ano, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Em março, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, deixando a taxa em 14,75% ao ano. Esta foi a primeira redução em quase dois anos, desde maio de 2024.
No entanto, analistas acreditam que a redução dos juros será lenta por causa da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, que está elevando o preço do petróleo e pode causar um aumento da inflação no Brasil. Isso pode fazer com que o Copom mantenha a cautela na política de juros.
Juros altos tornam o crédito mais caro, o que reduz o consumo e o investimento na economia. Com menor demanda por bens e serviços, a tendência é que os preços parem de subir rapidamente, mas isso pode desacelerar o crescimento econômico e o PIB do país.
Para 2026, a mediana das projeções para o IPCA ao longo de 12 meses subiu para 4,17%, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central. Essa estimativa permanece abaixo do teto da meta de inflação, que é 4,5%.

