O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que mostra a prévia da inflação oficial no Brasil, aumentou 0,20% em janeiro, uma desaceleração em relação aos 0,25% registrados em dezembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa queda foi influenciada especialmente pela redução no preço da conta de luz e das passagens aéreas.
A taxa ficou abaixo da previsão média do mercado, que era de 0,23%, mas a inflação acumulada nos últimos 12 meses subiu de 4,41% para 4,5% após três meses seguidos de estabilidade.
Redução na Conta de Luz
Em janeiro, o custo da energia elétrica residencial caiu 2,91%, contribuindo com a maior redução individual no índice, diminuindo 0,12 ponto percentual. Em dezembro, ainda vigorava a bandeira tarifária amarela, que acrescentava uma taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, enquanto em janeiro passou a valer a bandeira verde, sem cobrança adicional para os consumidores, conforme explicou o IBGE.
Transportes Mais Baratos
As passagens aéreas tiveram uma queda significativa de 8,92%, gerando o segundo maior impacto negativo no índice, com -0,07 ponto percentual. O transporte de ônibus urbano também ficou mais barato, caindo 2,79% e impactando o índice em -0,03 ponto percentual. Mesmo com reajustes em várias regiões, a média geral caiu por conta de gratuidades aos domingos e feriados em cidades como Belo Horizonte e São Paulo. Por outro lado, o metrô subiu 2,52%, o trem aumentou 2,43% e a tarifa de táxi cresceu 0,42%.
Expectativas para a Selic
Apesar dos números positivos, o mercado acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano na reunião desta quarta-feira.
Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, comentou que o ciclo de cortes na Selic deve iniciar em março, com os juros caindo para 13% até o fim do ano. Ele ressaltou que a melhora recente na inflação foi impulsionada pela queda nos preços das commodities em reais, aliviando a pressão nos preços de alimentos e bens industriais. No entanto, ele prevê que em 2026 e 2027 o IPCA deverá ser de 4,8%, devido à força do mercado de trabalho e à possibilidade de desvalorização do real, causada por preocupações com o aumento da dívida pública brasileira.
