LUANA LISBOA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Um relatório recente do Fórum Econômico Mundial em parceria com o Boston Consulting Group (BCG) revela que somente 6% do total investido pelo setor privado em saúde, entre 2020 e 2025, é destinado à saúde da mulher. A maior parte desse dinheiro é aplicada em cânceres femininos, saúde reprodutiva e cuidados maternos, enquanto outras doenças importantes recebem pouca atenção financeira.
Esse percentual corresponde a US$ 175 bilhões (cerca de R$ 910,6 bilhões), de um investimento total de US$ 2,87 trilhões (R$ 14,9 trilhões) no setor de saúde durante esses cinco anos.
Segundo o estudo, 90% dos recursos vão para câncer, reprodução e maternidade, deixando doenças como problemas no coração, osteoporose, menopausa e Alzheimer com pouco financiamento. Países com menor renda são os mais afetados por essa falta de investimento.
Doenças como menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e questões menstruais recebem menos de 2% do total investido na saúde da mulher. A saúde do coração feminina recebe menos de 0,01% do investimento nesta área.
Como consequência, mesmo vivendo mais tempo, as mulheres passam 25% mais anos com saúde ruim ou alguma deficiência.
Shyam Bishen, diretor do Centro de Saúde e Assistência Médica do Fórum Econômico Mundial, afirma que esse 6% é referente ao investimento privado em empresas que trabalham especificamente com saúde da mulher e inovação, que ainda é lenta e fragmentada.
Ele explica que o pouco investimento resulta em menos produtos e serviços voltados para mulheres, menos pesquisas clínicas e escassez de recursos para doenças comuns entre elas.
Bishen também destaca que as mulheres são afetadas de forma diferente por algumas doenças, o que prejudica seu bem-estar e sua participação no mercado de trabalho.
Quando consideram apenas empresas dedicadas exclusivamente à saúde feminina, o investimento cai para menos de 1%, totalizando US$ 23 bilhões (R$ 119,6 bilhões).
O relatório indica que uma das razões para esse baixo investimento é que pesquisas e produtos foram historicamente baseados no corpo masculino, com mulheres pouco incluídas em testes e dados separados por sexo geralmente faltando.
Bishen ressalta que isso limita as evidências para doenças femininas, aumenta o risco de investimento, dificulta a inovação e reduz o dinheiro privado destinado a essa área.
Esse ciclo se repete, pois dados insuficientes desestimulam investimentos, que por sua vez dificultam a geração de mais evidências.
Por outro lado, o diretor aponta que há um aumento do interesse e investimento na saúde da mulher, que passou a ser vista como uma área que pode crescer, e não apenas um nicho.
Um exemplo é o mercado de fertilização in vitro (FIV), que mostra como a inovação científica, maior demanda e políticas públicas podem transformar algo experimental em uma indústria lucrativa.
O objetivo do relatório é ajudar a transformar o setor de saúde da mulher em um campo atraente para investimentos.
Como recomendação, os autores sugerem que empresas ampliem pesquisas e transparência sobre resultados e ganhos econômicos, além de compartilhar os riscos do investimento usando financiamento misto de fontes públicas, privadas e filantrópicas.

