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quinta-feira, 15/01/2026

Investigadores planejavam duas ações contra Master, mas Justiça atrasou

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Em Brasília

ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS

Os investigadores que estão cuidando dos casos de fraude no Banco Master tinham o plano de fazer duas operações ao mesmo tempo em novembro do ano passado, mas a Justiça não deu autorização a tempo, o que atrapalhou o plano.

A primeira fase da Operação Compliance Zero aconteceu no dia 17 de novembro, quando prenderam o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. No mesmo dia, o Banco Central aprovou a liquidação do Banco Master, decisão que foi anunciada na manhã do dia 18, antes do mercado financeiro abrir.

A segunda parte da operação só ocorreu quase dois meses depois, no dia 14 de janeiro, com foco no uso de fundos de investimentos da Reag. Segundo as investigações, o Vorcaro teria usado esses fundos para desviar dinheiro. Na quinta-feira, dia 15, o Banco Central decretou a liquidação da Reag.

O pedido para a primeira fase foi feito a um juiz em Brasília, com base numa denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal, sobre venda de carteiras falsas de crédito ao Banco do Distrito Federal (BRB). As fraudes identificadas somam R$ 12,2 bilhões.

O pedido para a segunda fase, envolvendo a busca e apreensão de provas relacionadas às fraudes dos fundos de investimento, foi feito à Justiça Federal de São Paulo em outubro do ano passado. O esquema envolvendo os fundos da Reag, usado por Vorcaro e o Banco Master, aconteceu antes da fraude das carteiras de crédito consignado vendidas ao banco do governo do Distrito Federal. A operação veio depois, mais atrasada por causa da autorização que demorou.

Um investigador, que preferiu não ser identificado, disse que o plano era fazer as duas ações ao mesmo tempo, pois os casos estavam ligados, mas a Justiça de São Paulo não liberou a tempo.

Como não dava para esperar mais, para não prejudicar o andamento das investigações, resolveram iniciar a primeira fase da operação. A Polícia Federal já estava monitorando Vorcaro e identificou três planos de voo dele para sair do país, segundo a Folha de S.Paulo.

Em 3 de dezembro, o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que todas as ações relacionadas ao caso de Daniel Vorcaro deveriam ser avaliadas por ele, e não mais pela Justiça de primeira instância.

Essa decisão veio depois que a defesa do banqueiro pediu, em 28 de novembro, que o caso fosse levado ao Supremo. Os advogados fizeram o pedido após a apreensão de documentos de um negócio imobiliário ligado ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) numa busca.

Toffoli também colocou um sigilo muito rigoroso no caso, impedindo o acesso a detalhes do processo, como a identificação dos envolvidos e o andamento das ações.

Responsável pelo caso no STF, o ministro Toffoli autorizou a segunda fase da operação, mas criticou a Polícia Federal por atrasos na ação, pedindo explicações ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O diretor respondeu que os atrasos foram por questões operacionais, como atualização de endereços de alguns suspeitos.

Mesmo com as críticas, Toffoli manteve o sigilo no caso e pediu que os materiais apreendidos na segunda fase ficassem sob a guarda da Procuradoria-Geral da República (PGR), fora da Polícia Federal.

Após o despacho do ministro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visitou a sede da Polícia Federal para apoiar o diretor-geral Andrei Rodrigues. Os dois tiraram uma foto juntos mostrando união.

Na semana da primeira operação, Vorcaro tinha uma reunião marcada com o Banco Central, mas pediu para antecipar para a segunda-feira, dia 17. Naquela noite, ele foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando tentava fugir do país. Mais tarde, teve a prisão relaxada e está em casa cumprindo prisão domiciliar, monitorado pela Polícia Federal.

Uma outra fonte ligada às investigações comentou que não foi coincidência a forma como Vorcaro foi preso no aeroporto na primeira fase, nem a prisão do empresário Fabiano Zettel, cunhado dele, na segunda fase. Zettel foi preso em 14 de janeiro, também no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava sair do país de jatinho para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto no mesmo dia pela manhã. A prisão era temporária para manter segredo sobre a operação.

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