Nos últimos meses, a Bolsa brasileira teve uma alta significativa, enquanto o dólar caiu, refletem a expectativa dos investidores com a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) para a Presidência.
Com a chegada do segundo turno, o entusiasmo inicial deu espaço a uma postura mais cuidadosa, já que o resultado da eleição poderá influenciar o mercado nos próximos dias.
Especialistas indicam que, se Flávio vencer, há possibilidade de valorização dos ativos, embora parte disso já tenha sido incorporada. Caso Lula seja reeleito, o mercado pode experimentar uma queda devido a incertezas econômicas.
O principal índice da Bolsa, o Ibovespa, fechou o último pregão em alta, enquanto o dólar apresentou leve queda.
Após o primeiro turno, os juros futuros diminuíram, o dólar caiu e a Bolsa atingiu um recorde, impulsionados pela vantagem inesperada de Flávio Bolsonaro sobre Lula.
Pesquisa com gestores de fundos mostra que uma vitória de Flávio poderia elevar o Ibovespa e valorizar o real. Já a vitória de Lula pode causar queda na Bolsa e desvalorização da moeda brasileira.
Ricardo Pompermaier, da Davos Investimentos, ressalta que a continuidade da melhora dos ativos depende da vitória de Flávio, enquanto uma reeleição de Lula causaria reação negativa.
Helena Veronese, da B.Side Investimentos, complementa que o dólar pode cair ainda mais se Flávio vencer, mas pode haver uma correção forte se Lula for reeleito.
Na Bolsa, a vitória de Flávio pode atrair mais investidores estrangeiros e brasileiros, mas o mercado irá analisar a equipe econômica e as medidas apresentadas para entender o impacto real.
Possibilidade de ganhos
Apesar da alta recente, pode haver novas valorizações se Flávio ganhar, segundo Luccas Fiorelli, planejador financeiro. Ele destaca que os ganhos após o primeiro turno foram parcialmente revertidos com a disputa apertada.
O movimento de valorização pode ocorrer em fases: logo após o resultado e depois com o anúncio da equipe econômica e estratégias fiscais.
Setores como small caps, varejo e companhias beneficiadas pela redução dos juros podem ter melhor desempenho, dependendo da capacidade do governo eleito de implementar suas promessas.
Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos, aponta que a queda recente dos juros futuros reflete a expectativa de alternância no governo, mas ainda há incertezas importantes.
Riscos de queda
Se Lula ganhar, o Ibovespa pode sofrer uma correção significativa, afetando especialmente ações que subiram muito recentemente, como small caps e setores dependentes da economia interna e dos juros baixos.
Por outro lado, exportadoras e empresas defensivas podem resistir melhor, beneficiadas pela alta do dólar e maior segurança para investidores.
Empresas ligadas à habitação popular também podem continuar se beneficiando das políticas atuais.
Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, alerta que a vitória de Lula pode causar intensa reação negativa no mercado, enquanto mesmo a vitória de Flávio não elimina a possibilidade de realização de lucros.
A confiança dos investidores na nova equipe econômica será fundamental para a entrada contínua de recursos estrangeiros e a estabilidade do mercado.

