JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
Já se passaram 50 dias desde que o Banco Master foi fechado pelo Banco Central em 18 de novembro, e os investidores que compraram CDBs e outros títulos fixos ainda estão esperando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começar a pagar o dinheiro garantido.
Para começar os pagamentos, o FGC precisa receber a lista dos investidores que têm direito a essa garantia. A preparação desses dados demora e varia conforme o caso, mas, em liquidações recentes, isso levou em média de 30 a 40 dias.
O FGC informou que ainda está esperando essa lista. Quando receber, fará os pagamentos aos investidores, respeitando o limite máximo de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. “Sobre a demora, apenas o liquidante pode explicar, porque cada liquidação tem suas particularidades. O FGC está pronto para continuar o processo assim que receber a lista”, disse o fundo.
O liquidante Eduardo Felix Bianchini não respondeu aos pedidos de entrevista até a publicação deste texto.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, a demora ocorre pela complexidade da liquidação, que envolve a compensação de 1,6 milhão de credores, com um valor total garantido pelo FGC de R$ 41 bilhões.
Esse será o maior valor já pago pelo FGC desde sua criação, em 1995. Antes, o maior pagamento foi do Bamerindus, em 1997, com cerca de R$ 20 bilhões corrigidos. Porém, em número de pessoas, o Bamerindus continua sendo o maior caso, com 3.913.229 clientes indenizados.
Os 50 dias de espera para receber o valor do Banco Master é o maior tempo desde a liquidação do Banco Rural, em 2 de agosto de 2013, que levou três meses e seis dias para começar o pagamento via FGC.
Depois disso, o Banco BRJ, liquidado em 13 de agosto de 2015, teve um prazo de 27 dias; o Banco Azteca do Brasil, liquidado em janeiro de 2016, esperou 47 dias.
A maior espera da história foi a do Banco de Financiamento Internacional (BFI), que durou três anos, oito meses e três dias devido a um problema extra judicial que bloqueou os pagamentos.
Depois vem o Banco Vega, liquidado em 1997, que teve espera de seis meses e 12 dias, e o Banco Proper, liquidado em setembro de 2012, com cinco meses e quatro dias.
Embora as liquidações recentes tenham tido uma média de tempo entre 30 e 40 dias, não existe prazo legal para essa etapa ser concluída. A consolidação e verificação das informações dependem da complexidade do caso e do trabalho do liquidante, por isso atrasos isolados não indicam irregularidades.
O FGC cobre diversos produtos, entre eles CDBs, LCIs e Letras Financeiras, dentro dos valores e regras estabelecidos.
Apesar do grande valor envolvido no caso do Master, o FGC assegura que tem recursos suficientes para os pagamentos. Em junho, o fundo tinha uma liquidez de R$ 121,1 bilhões.
