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Economia

Investidores de varejo querem participar da renegociação da dívida da Braskem

Reprodução

Investidores que possuem CRAs vinculados às dívidas da Braskem reclamam de não ter sido incluídos nas negociações da reestruturação da empresa, que busca renegociar uma dívida de R$ 55 bilhões.

A Braskem decidiu negociar somente com um grupo de grandes credores, que detém cerca de R$ 39 bilhões da dívida, incluindo detentores de bonds e fundos com debêntures.

As propostas divulgadas pela Braskem mostram que há um acordo preliminar na estrutura, porém ainda não há consenso nos valores. Esses termos devem valer para todos os credores, inclusive os que não participaram das negociações.

Os CRAs são títulos relacionados ao agronegócio, vendidos a investidores pessoa física por serem isentos de Imposto de Renda.

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Esses investidores estão representados pelo escritório Felsberg Advogados e pela consultoria Journey Capital.

Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey, há uma insistência para que a companhia envolva todos os credores. O objetivo é garantir que o acordo funcione para o mercado local e seus diferentes investidores.

A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial em agosto, com apoio de credores que representam cerca de 40% da dívida passível de reestruturação. O prazo para apresentar um plano definitivo com a maioria dos créditos é 22 de novembro, com alguns termos a serem aprovados em breve.

Embora os CRAs tenham um peso pequeno na votação, menos de 2%, os representantes argumentam que excluir parte dos credores aumenta o risco de contestações judiciais e desestimula investimentos futuros.

Clara Azzoni, sócia do Felsberg, afirma que não incluir o mercado local pode prejudicar o próprio mercado brasileiro de capitais, gerando restrições para novos investimentos para os credores envolvidos.

As propostas mostraram diferenças entre a empresa e os grandes credores. Ambas envolvem uma oferta de ações de US$ 2,25 bilhões e a conversão de parte da dívida em participação societária.

Na proposta da Braskem, os principais acionistas garantiriam US$ 1,2 bilhão, com parte liberada no fechamento e o restante em um ano, além de um possível aporte em 2029. Os credores converteriam US$ 2,8 bilhões em ações.

Já os credores pedem US$ 1,85 bilhão dos sócios em parcela única, além de garantias sobre ativos no Brasil, Estados Unidos, Europa e participação na Braskem Idesa no México. A empresa oferece garantias apenas sobre operações americanas.

Espera-se que o fim das eleições agilize o processo, pois, sem a reestruturação, a Braskem teria um caixa negativo de US$ 1,3 bilhão ao final do ano e um déficit projetado de US$ 7,8 bilhões em 2031.

A empresa afirmou estar comprometida com o diálogo com investidores e credores financeiros. Contudo, não comentou o pedido dos investidores de varejo.

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