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segunda-feira, 16/03/2026




Internações de crianças por mordida de cachorro crescem 43% em 5 anos

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Em Brasília

O número de crianças internadas no Sistema Único de Saúde (SUS) por mordidas de cães aumentou 43,4% entre 2020 e 2025, chegando a 1.361 casos em 2025, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Entre as vítimas está o filho de Marcela Prutchansky. O garoto de 2 anos foi atacado por um cachorro da raça American Bully no elevador do prédio onde mora, mesmo sem ter tocado no animal.

Ele precisou de 40 pontos no rosto, perdeu dois dentes e outros dois ficaram frouxos, necessitando de aparelho. O menino passou por uma cirurgia para reconstrução total do nariz e ainda está em tratamento, segundo a mãe.

Desde o incidente, em 2025, o menino tem dificuldade para comer alimentos mais duros, como maçã, mas Marcela diz que a melhora está acontecendo.

Cirurgias para recuperação

Marcelo Sampaio, presidente da SBCP, explica que muitas mordidas ocorrem quando a criança brinca com um cachorro doméstico e se aproxima do animal, sendo mordida no rosto, na pálpebra ou no lábio.

Esses ferimentos geralmente não colocam a vida em risco, mas exigem cirurgias complexas. “Reconstruir o nariz é um procedimento difícil”, afirma.

O objetivo da cirurgia é recuperar funções importantes do corpo e evitar danos permanentes, além de melhorar a aparência. “Nos lábios, a reconstrução ajuda a pessoa a falar e evitar a saída de saliva e alimentos. Nas pálpebras, garante que o paciente possa abrir e fechar os olhos normalmente”, acrescenta.

Em casos de danos ao nervo facial, a cirurgia busca tratar a paralisia dos músculos do rosto, ainda que algumas sequelas não tenham solução definitiva.

Em situações graves, como ataques de cães grandes que causam perda de tecido ou visão, o transplante de face pode ser uma opção.

Como evitar acidentes?

Diante do aumento dos ataques, a SBCP lançou a campanha “Crianças e Pets: Convivência Segura” para alertar a população.

Marcelo Sampaio recomenda que crianças que não podem se defender sozinhas não sejam deixadas para brincar com cães, mesmo que pareçam dóceis.

É importante ensinar as crianças que o cão não é um brinquedo e que não devem colocar as mãos na boca ou perto dos olhos dos animais, pois isso pode assustá-los e provocar mordidas.

Outro cuidado é evitar encostar o nariz no focinho do cachorro para não causar reações de defesa do animal.

Responsáveis devem ficar atentos a cães grandes próximos às crianças e redobrar a vigilância nessas situações.

Donos de cães devem usar focinheira, coleira e guia curta nos animais, especialmente para raças grandes ou consideradas perigosas, como manda a lei do Estado de São Paulo desde 2003.

Estadão Conteúdo




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