Laéssio Rodrigues de Oliveira, conhecido por roubar livros e gravuras raras, tentou novamente furtar obras no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), localizado na capital paulista. Desta vez, porém, não conseguiu levar nada, pois foi reconhecido a tempo pelo presidente do instituto, João Tomás do Amaral.
O incidente, ocorrido há cerca de três semanas, levou o instituto a interromper temporariamente o acesso às pesquisas. O presidente afirmou que o local está fechado para pesquisas por enquanto.
Laéssio tem um histórico extenso de furtos em bibliotecas e museus no Brasil desde a década de 1990. Ele já foi preso várias vezes e foi tema de um documentário exibido no Globoplay, chamado “Cartas para um Ladrão de Livros”.
Em 2018 e 2019, Laéssio esteve no centro de reportagens depois que escreveu uma carta confessando ter roubado gravuras de Emil Bauch da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro há 15 anos.
No evento recente, ocorrido em 27 de fevereiro, Laéssio usava máscara hospitalar descartável e fingiu ser um pesquisador do Espírito Santo. Foi recebido normalmente no instituto. Durante uma conversa de cerca de uma hora e meia, ele discutiu temas históricos relacionados às revoluções de 1924 e 1932 com João Tomás do Amaral.
Durante esse encontro, Laéssio pediu para ser chamado de Oliveira, seu sobrenome real, mas não apresentou confirmação formal de identidade. O presidente reconheceu sua identidade pelo histórico e pelo comportamento durante a visita.
Após a conversa, o grupo visitou o espaço dedicado à Revolução de 1932, acompanhado por membros do instituto. A visita foi rápida, e o grupo saiu logo após a passagem pelo local, provavelmente por perceber que estavam sendo observados.
Segundo João Tomás do Amaral, não houve furto dessa vez. O acesso dos visitantes ficou restrito às áreas de exposição, sem contato direto com livros ou documentos valiosos.
O instituto já havia recebido avisos de outras bibliotecas sobre a presença de Laéssio em instituições culturais do país, inclusive no Rio de Janeiro durante o Carnaval.
Quatro dias atrás, o jornal O Globo informou que Laéssio foi visto rondando instituições culturais no Rio de Janeiro.
Após esse episódio, o instituto decidiu fechar o local para o público e limitar o acesso às pesquisas para proteger seu patrimônio. O controle interno foi reforçado e a área passou a ser monitorada pela polícia.
João Tomás do Amaral comentou que, infelizmente, atualmente qualquer pessoa que se apresente como pesquisador, mesmo se for verdadeira ou não, não tem mais acesso livre. As pesquisas agora só são permitidas de forma muito controlada.
