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sábado, 14/02/2026

INSS tem fila única, mas pacientes graves não têm prioridade

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JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Eduardo da Costa, 53 anos, que passou por transplante e sofre de câncer de pele em estágio avançado, pediu um auxílio por incapacidade ao INSS em 25 de dezembro de 2025, mas recebeu a sua perícia médica somente para março.

Sem poder ir às agências, ele, que trabalha como motoboy, segue sem receber o benefício e depende quase que somente dos canais digitais do INSS, que frequentemente apresentam instabilidade.

Eduardo está incluído na nova fila nacional de análise de benefícios, criada em janeiro pelo instituto. Agora, os pedidos não são mais organizados só por região, e servidores de locais com menos demandas ajudam a processar pedidos de onde a espera é maior.

Entretanto, mesmo com essa mudança, pessoas com casos graves ainda aguardam perícia sem atendimento preferencial. Especialistas explicam que é difícil priorizar, pois a fila é formada majoritariamente por segurados que já têm algum direito legal à prioridade, como idosos, pessoas com deficiência ou com doenças severas.

Nesse sistema, casos urgentes e menos urgentes são tratados do mesmo modo na marcação da perícia, já que não há regra para que o sistema classifique os pedidos conforme a gravidade antes da avaliação médica.

O Ministério da Previdência Social (MPS) declarou que a fila é única e organizada pela data do pedido, sem selecionar gravidade, identificada somente na perícia.

O advogado previdenciário Rômulo Saraiva aponta que a falta de priorização no agendamento é um problema, apesar de haver leis que asseguram atendimento preferencial.

O INSS enfrenta uma fila de mais de 3 milhões de pedidos de benefícios, entre em análise ou aguardando perícia inicial, com cerca de 1,7 milhão ultrapassando o prazo de 45 dias. A região Nordeste tem o maior número de pedidos pendentes.

Algumas pessoas esperam tanto que já se recuperam quando conseguem a perícia, o que pode levar à negativa do benefício ou à falta de pagamento retroativo.

Arianne Liz, 34 anos, funcionária de logística, está afastada desde outubro após lesão no joelho. Ela tentou adiantar a perícia marcada para março, mas teve dificuldades no aplicativo e por telefone. Arianne depende da ajuda da família enquanto não recebe o benefício e pretende recorrer à Justiça se o auxílio for negado.

O MPS afirma que a fila foi afetada por aumento de pedidos, mudanças legais e revisões de benefícios. A expectativa é que a contratação de 500 novos peritos e outras ações reduzam a espera.

Rômulo Saraiva observa que o trabalho remoto de servidores pode estar retardando o atendimento e que o retorno ao trabalho presencial poderia agilizar os processos.

O Ministério destaca ações para reduzir a fila, como análise documental remota, perícias por telemedicina, mutirões de perícias e contratação de novos peritos.

Fila Nacional

O advogado Elimar Mello afirma que a fila nacional é importante para equilibrar a carga de trabalho e organizar os pedidos por ordem de chegada, beneficiando casos sensíveis, como BPC e incapacidade, que representam a maioria das demandas.

Porém, ele lembra que a fila nacional não aumenta o número de médicos para perícia presencial, que continua limitada.

Rômulo Saraiva acrescenta que diferenças regionais podem causar problemas na análise e levar a negativas de benefícios, empurrando casos para recursos ou para a Justiça, que é ainda mais lenta.

O INSS informou que, em uma semana após a implantação da fila nacional, mais de 118 mil pedidos com mais de 45 dias de espera foram encaminhados para análise, com 60 mil já concluídos.

Tempo de Espera e Justiça

A lei 9.784 de 1999 estabelece que o INSS tem até 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para decidir sobre um pedido após o recebimento dos documentos, com justificativa para prorrogação.

Elimar Mello ressalta que atrasos longos violam a lei e que o serviço público deve ser ágil e de qualidade, pois a demora pode causar graves dificuldades para o cidadão.

Após cerca de 60 dias de espera, recorrer pelos canais administrativos geralmente tem pouco efeito, e a Justiça se torna o caminho mais eficiente.

Uma segurada que pediu anonimato relata que, após enfrentar falhas no sistema e ir até a agência, sua perícia foi marcada apenas para depois e teve o benefício negado. Ela recorreu, mas aguarda a nova análise e enfrenta dificuldades financeiras.

Rômulo Saraiva informa que recursos demorados na Justiça podem levar mais de 460 dias, aumentando o tempo total de espera para o segurado.

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