A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal o acordo de delação premiada do empresário Maurício Camisotti, preso por envolvimento em um esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS. O ministro André Mendonça está responsável por analisar os termos do acordo.
Maurício Camisotti já prestou depoimento à Polícia Federal e aguarda a decisão de André Mendonça sobre a aprovação do acordo de delação. Camisotti atua no setor de seguros e planos de saúde e está detido desde setembro do ano passado, inicialmente na penitenciária de Guarulhos e posteriormente transferido para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
Os advogados do empresário esperam que a colaboração premiada facilite o pedido de prisão domiciliar para Maurício Camisotti.
Farra do INSS
- O escândalo envolvendo o INSS foi inicialmente revelado pelo Metrópoles, em uma série de reportagens publicadas desde dezembro de 2023.
- Em poucos meses, foi identificado que a receita das entidades que aplicavam descontos em aposentadorias atingiu cerca de R$ 2 bilhões em um ano, enquanto estas associações enfrentavam milhares de processos por fraudes nas filiações de segurados.
- As reportagens auxiliaram na abertura de inquérito pela Polícia Federal e nas investigações conduzidas pela Controladoria-Geral da União.
- O caso resultou na Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, que levou à demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Maurício Camisotti é apontado como um dos principais organizadores do esquema, que usava entidades associativas para descontar ilegalmente mensalidades diretamente dos benefícios do INSS.
Segundo a Polícia Federal, o grupo comandava pelo menos três entidades — Ambec, Unsbras e Cebap — que atuavam como intermediárias na cobrança das mensalidades sem autorização dos segurados.
As investigações também mostram que essas organizações eram formalmente lideradas por pessoas ligadas a Maurício Camisotti, incluindo funcionários, parentes e operadores próximos, sugerindo o controle indireto do esquema por parte do empresário.
Juntas, as entidades movimentaram aproximadamente R$ 580 milhões em 2024, com um faturamento superior a R$ 1 bilhão desde 2021, resultado do aumento dos descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões.

