27.5 C
Brasília
sexta-feira, 16/01/2026

Injeção para prevenir HIV começa a ser estudada pela Fiocruz em 7 cidades

Brasília
nuvens dispersas
27.5 ° C
27.5 °
27.5 °
42 %
4.1kmh
40 %
sex
28 °
sáb
29 °
dom
30 °
seg
26 °
ter
19 °

Em Brasília

BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vai iniciar um estudo para avaliar o uso da injeção semestral chamada lenacapavir para prevenir o HIV, através do SUS (Sistema Único de Saúde).

O projeto, nomeado ImPrEP LEN Brasil, vai oferecer o medicamento em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu.

O foco do estudo são grupos considerados mais vulneráveis ao HIV, como homens gays e bissexuais, pessoas não binárias que nasceram com sexo masculino e pessoas transgênero, com idades de 16 a 30 anos.

A participação será voluntária e espontânea. Quem for a um centro de saúde buscando a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) poderá escolher entre a injeção lenacapavir ou o comprimido diário, que já é usado no Brasil desde 2018, contendo os antirretrovirais tenofovir e entricitabina.

“Queremos avaliar o interesse e a logística para aplicar a injeção”, explica Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do estudo e presidente da International Aids Society. “Estamos muito otimistas.”

A empresa farmacêutica Gilead Sciences, que fabrica o lenacapavir, já forneceu as doses para o estudo, que só depende da chegada de agulhas específicas ao país. A pesquisa é financiada pela Unitaid, uma iniciativa global que ajuda a trazer inovações para prevenir, diagnosticar e tratar doenças em países com menos recursos.

O objetivo do estudo é ajudar o Ministério da Saúde a decidir se o lenacapavir será incorporado ao SUS. Recentemente, a Anvisa aprovou o registro do medicamento no Brasil.

No entanto, o preço do medicamento ainda precisa ser definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A incorporação ao SUS será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) e pelo governo.

Hoje, nos Estados Unidos, o tratamento custa cerca de US$ 25,3 mil por pessoa ao ano, podendo alcançar até US$ 44,8 mil em alguns casos. Uma versão genérica do medicamento poderia custar entre US$ 25 e US$ 47 por ano, mas a fabricação dessa versão não está planejada para o Brasil.

A Gilead fez acordos para permitir a produção de versões genéricas do lenacapavir em 120 países com menor renda, mas o Brasil não faz parte dessa lista, segundo a empresa.

“Os acordos para produção de genéricos incluem países considerados mais vulneráveis, baseados em critérios epidemiológicos e capacidade financeira. O Brasil não está nesse grupo”, afirma a Gilead.

Para o Brasil, considerado com boa capacidade financeira mesmo com o número de casos de HIV, a estratégia para acesso ao medicamento envolverá negociações locais, incluindo a definição do preço pelo CMED.

A Gilead diz que está comprometida em apoiar as autoridades brasileiras para garantir o acesso ao lenacapavir dentro das regras vigentes.

Beatriz Grinsztejn lamenta a exclusão do Brasil da lista de países com acesso aos genéricos e acredita que isso pode dificultar a inclusão do medicamento no SUS.

Veja Também