Wissam Maarouf, ligado ao grupo Houthis do Iêmen, usou uma ferramenta de inteligência artificial (IA) criada por uma empresa brasileira para obter informações militares. O foco principal eram os ataques realizados pelos Houthis na região do Mar Vermelho.
A empresa, chamada eesier, revelou que Wissam utilizou a ferramenta para monitorar incidentes, localizar rotas de embarcações e obter relatórios detalhados sobre ataques contra navios. A ferramenta também permitia pesquisas na internet sem sair do aplicativo WhatsApp, onde funcionava o assistente de IA.
Os Houthis são um movimento político-religioso que controla parte do Iêmen desde 2014, quando iniciou uma guerra civil contra o governo do país. Eles recebem apoio do Irã e atacam navios ligados a Israel no Mar Vermelho, além de lançar drones e mísseis contra o território israelense. O conflito tem envolvido também a Arábia Saudita, os Estados Unidos e o Reino Unido, com ataques e contra-ataques na região.
Wissam Maarouf foi bloqueado pela empresa após usar a ferramenta de forma considerada suspeita e em volume acima do normal. Ele é uma figura pública e influenciador digital, com milhares de seguidores nas redes sociais, onde compartilha informações militares sobre as operações dos Houthis, especialmente no Mar Vermelho.
Nas redes sociais, Wissam mostra forte ligação com os Houthis e compartilha informações sobre avanços do grupo, incluindo o controle de rotas estratégicas como a estrada Taiz-Aden, vital para o acesso ao Estreito de Bab el-Mandeb. A operação contra navios no Mar Vermelho, incluindo ataques a embarcações que operam sob a bandeira da Libéria, foi divulgada por ele para seus seguidores.
Apesar da exposição pública do influenciador, não se sabe se ele ocupa cargo de liderança nos Houthis ou participou diretamente de combates. A empresa responsável pela IA presume que Wissam tenha conhecido a ferramenta por meio de divulgação em redes sociais, como Twitter.


