DOUGLAS GAVRAS
FOLHAPRESS
A inflação na Argentina terminou fevereiro com alta de 2,9%, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Nos últimos 12 meses até fevereiro, a inflação acumulada foi de 33,1%, um aumento em relação ao mês anterior. Em janeiro, o índice mensal também foi 2,9%, com 32,4% no acumulado anual.
O governo do presidente Javier Milei assegura que a inflação começará a cair de forma significativa após o primeiro trimestre do ano. Durante um encontro com empresários em Nova York, o presidente voltou a afirmar que espera uma inflação mensal inferior a 1% entre junho e agosto de 2026.
Essa previsão se baseia na queda dos preços no atacado e no plano econômico do governo, que busca estabilizar os preços. No entanto, consultorias privadas têm estimativas mais conservadoras, prevendo uma inflação mensal de 1,7% em junho e 1,5% em agosto.
Vale lembrar que Milei já fez várias promessas parecidas, incluindo a expectativa de inflação quase zero até o final de 2025 ou início de 2026.
Os preços da cesta básica, tarifas controladas pelo governo e combustíveis foram os principais motivos para o índice registrado em fevereiro. Consumidores argentinos têm sentido os impactos, pois a inflação continua alta, acima de 2% por cinco meses seguidos e com tendência de crescimento desde junho do ano anterior.
Nos supermercados de Buenos Aires, as promoções do tipo “Dois por um” tornaram-se comuns para ajudar a escoar os produtos e combater a queda do consumo, mas não é possível notar uma redução geral nos preços.
Consultorias como a Analytica esperavam uma inflação em fevereiro de cerca de 2,8%, enquanto a Eco Go previa números entre 2,9% e 3%, indicando uma possível aceleração.
Os próximos meses representam desafios para a equipe econômica do governo, e a população aguarda os efeitos nos preços dos combustíveis devido à guerra no Irã, que recebe apoio de Milei, além da inflação em alta que já vem de meses anteriores.
Em relação à alimentação, relatório da LCG destaca que a aparente queda nos preços foi apenas temporária. Após um período de alta, os preços das carnes e bebidas caíram momentaneamente, para então voltar a subir novamente.
Na região da Cidade Autónoma de Buenos Aires, a inflação atingiu 2,6% em fevereiro, refletindo o cenário nacional. O aumento nos preços dos alimentos e combustíveis foi o principal motivo para essa alta.
Além disso, o governo enfrentou controvérsias com o Indec após suspender a atualização do novo índice de preços ao consumidor, prevista para janeiro. A equipe econômica desistiu da mudança e o presidente do instituto renunciou. A data para a nova versão do índice ainda não foi definida.
