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segunda-feira, 23/02/2026

Inflação dentro da meta aumenta chances de corte na Selic

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A projeção do IPCA para 2026 caiu pela quinta vez consecutiva, agora para 3,97%, voltando a colocar em pauta a possibilidade de início da redução da taxa Selic nos próximos meses. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa está dentro da margem da meta de inflação, que é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O relatório também mantém a expectativa de que a Selic ficará em 12,25% no final de 2026, com um crescimento do PIB previsto em 1,8% e o câmbio estimado em R$ 5,50. Esses indicadores mostram uma convergência gradual das expectativas de inflação em um cenário de atividade econômica moderada e juros ainda altos.

Para Matheus Portela, economista e diretor de gestão da VLGI Asset, do grupo VLG Investimentos, esse cenário favorece o início da flexibilização da política monetária, porém de forma cautelosa. “A inflação tem se mantido dentro da faixa da meta, e as projeções indicam uma tendência de convergência para o centro nos próximos anos. Esse fato, junto com sinais de desaceleração da economia, como um PIB mais fraco, e um câmbio estável, reforça as condições favoráveis para o começo dos cortes,” explica.

Matheus Portela destaca que o Banco Central deve agir com prudência: “É necessário ter certeza de que essa tendência é sólida antes de acelerar os cortes.” Ele ressalta que a volatilidade recente da inflação e a importância de manter as expectativas estáveis são fatores que influenciam essa cautela.

Dentre os riscos, ele aponta a situação fiscal e o ambiente internacional. “O principal risco é a questão fiscal. O comportamento das contas públicas afeta diretamente as expectativas de inflação e os juros de longo prazo,” afirma. Além disso, a política monetária dos Estados Unidos e os dados econômicos daquele país também podem impactar o ritmo dos cortes no Brasil.

Na hora de investir, Matheus Portela recomenda uma estratégia equilibrada, dada a desaceleração da inflação e os juros ainda altos. “Títulos pós-fixados continuam oferecendo bons retornos reais, sendo a melhor escolha para liquidez e reserva de valor. Com a redução esperada da Selic, títulos prefixados e atrelados à inflação tornam-se atraentes para o longo prazo, tanto pelo rendimento quanto pela valorização potencial com o fechamento da curva de juros,” explica.

Ele alerta que antecipar esses investimentos traz riscos: “Os maiores ganhos acontecem se a alocação for feita antes da confirmação dos cortes, o que exige paciência e tolerância às variações.” Títulos prefixados, IPCA+ e investimentos em ações e fundos imobiliários tendem a se beneficiar dessa mudança na curva de juros.

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