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terça-feira, 10/02/2026

Inflação cresce rapidamente na Argentina em meio a conflito entre governo Milei e instituto de estatísticas

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Em Brasília

DOUGLAS GAVRAS
FOLHAPRESS

Era para ser um momento importante para o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos), que planejava lançar um novo método para medir a inflação na Argentina. No entanto, uma crise com o governo do presidente Javier Milei interrompeu a divulgação dessa nova medida, resultando na troca da liderança do instituto e gerando uma crise interna.

Na terça-feira (10), foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tradicional, que registrou alta de 2,9% em janeiro, um pouco maior que os 2,8% do mês anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou a 32,4%.

Esses números, entretanto, ficaram em segundo plano diante da crise no Indec, que pretendia atualizar a lista de produtos e serviços usados para calcular a inflação, baseada em uma pesquisa realizada entre 2017 e 2018, já que os dados atuais ainda vêm de 2004.

Em janeiro, os maiores aumentos foram em alimentos e bebidas (4,7%), impulsionados por carnes, verduras e legumes, seguidos por restaurantes e hotéis, que subiram 4,1%.

Na Capital Federal, o índice de preços ultrapassou 3%, alcançando 3,1% no primeiro mês do ano, influenciado pelos aumentos nos serviços ligados ao verão, conforme o Idecba (Instituto de Estatística e Censo de Buenos Aires). Essa foi a maior alta desde março de 2025.

O novo método para medir o IPC pretendia ser menos influenciado por variações cambiais e por preços internacionais, como dos alimentos, mas mais focado em aumentos nos serviços como energia, transporte e comunicação. Itens como habitação, eletricidade e gás teriam mais peso na nova fórmula.

Já categorias como alimentos e bebidas continuariam sendo importantes, porém com menor participação, enquanto roupas e calçados também teriam peso reduzido.

Entretanto, a atualização do cálculo do IPC foi suspensa na semana anterior, levando à renúncia do diretor do Indec, Marco Lavagna, e causando tensões internas.

A suspensão do novo IPC e a saída de Lavagna ocorreram devido a conflitos internos entre ele e o ministro da Economia, Luis Caputo. Enquanto Lavagna defendia a divulgação do novo índice, Caputo e o presidente Milei preferiam manter os dados antigos. Lavagna estava no comando do Indec desde 2019.

O governo alega que a pandemia mudou muito os hábitos de consumo e que primeiro é necessário estabilizar a inflação antes de alterar o índice.

O ministro Caputo afirmou que “junto com Milei, não concordamos em mudar o índice” e explicou que “é importante comparar dados equivalentes”. Segundo ele, o correto é esperar o processo de redução da inflação estabilizar e realizar uma nova pesquisa sobre os hábitos de consumo para refletir as mudanças reais.

Além disso, a atualização do IPC impactaria contratos de aluguel, aumentos salariais e tarifas, pois muitos desses valores são calculados com base na inflação. Por exemplo, aposentadorias e tarifas de transporte seguem os dados do IPC acrescidos de um percentual.

Não há previsão para o lançamento da nova fórmula para medir a inflação na Argentina.

A decisão foi criticada por economistas, que compararam a intervenção atual no Indec com situações do passado, durante governos kirchneristas.

Mesmo economistas próximos ao pensamento de Milei manifestaram críticas. O ex-ministro Domingo Cavallo publicou um texto reprovando a forma como o governo reage às críticas técnicas, questionando a “intolerância” com observações econômicas.

A inflação na Argentina continua sendo um desafio, com índices elevados nos anos recentes e uma expectativa de redução que ainda enfrenta dificuldades após a posse de Milei em dezembro de 2023.

Em 2025, a inflação teve o menor nível desde 2017, mas parte desse cenário foi influenciada pela decisão de Milei no final de 2023 de desvalorizar fortemente o peso argentino.

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