VICTORIA DAMASCENO
FOLHAPRESS
Com o fim da patente do medicamento Ozempic previsto para março de 2026, as indústrias farmacêuticas brasileiras Biomm e Amoveri participaram da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Nova Déli, na Índia, para firmar acordos que possibilitam a produção nacional das chamadas canetas para emagrecer.
A iniciativa conta com o apoio do Ministério da Saúde. Segundo o ministro Alexandre Padilha, é fundamental que o Brasil aprenda a tecnologia para diminuir o preço desses remédios e torná-los acessíveis à população. Esses medicamentos são usados para tratar várias doenças, incluindo diabetes e obesidade.
“Quando existem múltiplos produtores no Brasil produzindo localmente, isso garante o acesso real da população aos medicamentos. Esse é o momento mais importante”, afirmou o ministro durante entrevista na Índia.
Atualmente, uma caixa de Ozempic, com dose inicial de 0,25 mg, custa cerca de R$ 1.000 no Brasil.
A Biomm estabeleceu um acordo com a empresa Biocon, enquanto a Amoveri Farma obteve a tecnologia da farmacêutica Syrus.
Com o término da patente se aproximando, a Anvisa lançou em agosto do ano passado um edital para priorizar empresas solicitando registro dos medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, e liraglutida, do Saxenda.
O principal objetivo é garantir o fornecimento desses fármacos no mercado brasileiro, já que houve sinalização de instabilidade. O edital também responde a uma demanda do Ministério da Saúde para a internalização da tecnologia para a fabricação local, conforme informou a Anvisa.
De acordo com o ministro Padilha, as ações do ministério acompanham um debate global conduzido pela Organização Mundial da Saúde sobre o uso desses medicamentos como suporte no controle da obesidade. O foco está na redução dos custos e no estímulo à produção doméstica para facilitar o acesso.
O ministro se referiu às diretrizes publicadas pela OMS em dezembro de 2025, que indicam que medicamentos do tipo GLP-1, tecnologia usada nas canetas, podem ajudar pessoas com obesidade, junto a uma alimentação saudável, exercícios e acompanhamento profissional.
O documento ressalta também a necessidade de garantir acesso justo às terapias e preparar os sistemas de saúde para seu uso.

