ÍTALO LEITE E CARLOS VILLELA
SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS)
Um grupo de indígenas está acampado há mais de sete dias na sede da Cargill, empresa do setor agrícola, em Santarém, Pará. Segundo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que apoia o protesto, os manifestantes querem impedir a dragagem do rio Tapajós.
Os indígenas bloqueiam a passagem de caminhões no terminal e pedem a anulação do decreto nº 12.600/25, que permite ao governo estudar a concessão de hidrovias na Amazônia à iniciativa privada, incluindo o rio Tapajós.
O decreto também inclui partes dos rios Madeira e Tocantins.
Os indígenas afirmam que são contra a privatização dos rios da Amazônia, que para eles são fonte de vida, alimentação, cultura e espiritualidade. O rio Tapajós é vital para a sobrevivência e modo de vida dos povos indígenas da região.
A Coiab destaca que o processo de privatização do rio está ocorrendo sem respeitar a convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos indígenas o direito de serem consultados antes de decisões que afetem seus territórios.
O protesto não é só dos indígenas, mas também envolve ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares que dependem do rio para trabalhar e se alimentar.
As principais demandas incluem a suspensão dos processos que põem em risco o rio Tapajós e o cumprimento integral da convenção 169 da OIT.
Este projeto já enfrentou protestos na COP30, realizada em Belém em novembro, onde o governo prometeu consultar as comunidades afetadas.
Em resposta, a Cargill afirmou que respeita o direito de protesto e que segue as leis brasileiras, mas que não tem influência sobre o tema do protesto.
A ocupação acontece em frente à portaria de caminhões da empresa, bloqueando o fluxo de veículos no terminal, mas não nas áreas de operação da Cargill.
