Jeremy Carl, comentarista político indicado em junho do ano passado pelo ex-presidente Donald Trump para o cargo de secretário de Estado adjunto para assuntos de organizações internacionais, retirou sua candidatura na última terça-feira (10/3). A decisão veio após uma série de críticas severas relacionadas a declarações polêmicas feitas por ele no passado.
Conhecido por um histórico de declarações consideradas racistas e antissemitas, Carl perdeu apoio dentro do próprio partido Republicano, tornando sua confirmação pelo Senado improvável.
Em declaração publicada na rede social X, Jeremy Carl, que também é pesquisador sênior do conservador Claremont Institute e atuou como subsecretário adjunto do Departamento do Interior durante o primeiro mandato de Trump, agradeceu ao presidente e ao secretário Marco Rubio pelo apoio, porém reconheceu que não foi suficiente para garantir sua nomeação.
Ele afirmou: “Para cargos de alto escalão como este, o apoio do presidente e do secretário de Estado é fundamental, mas não suficiente. Era necessário o apoio unânime de todos os senadores republicanos da Comissão de Relações Exteriores, especialmente diante da oposição unânime dos senadores democratas, e infelizmente isso não foi alcançado.”
Declarações controversas de Jeremy Carl
- Ao ser questionado se acreditava em um esforço deliberado para substituir os americanos brancos, Carl respondeu que as políticas de imigração dos democratas indicam essa possibilidade;
- Reconheceu que fez comentários minimizando o impacto do Holocausto, descrevendo tais comentários como errados, porém comentou que “Hitler é sempre o tipo conveniente de mau exemplo”;
- Disse que os judeus “muitas vezes gostam de se fazer de vítimas” e sugeriu que o ressentimento contra eles poderia surgir devido às profissões que historicamente escolheram;
- Expressou oposição ao feriado federal Juneteenth, que celebra o fim da escravidão nos EUA, alegando que a data “explora a questão racial e humilha os brancos”;
- Publicou o livro “A Classe Desprotegida: Como o Racismo Anti-Branco Está Destruindo a América” em 2024, afirmando que os brancos enfrentam discriminação e que sua identidade foi apagada da história americana.
Reação do Senado e consequências
A indicação de Carl foi amplamente vista como rejeitada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado desde a audiência de confirmação em fevereiro. O senador John Curtis, republicano de Utah, declarou que não apoiaria o candidato devido às acusações de comentários antissemitas e racistas, configurando uma rara derrota para Trump, mesmo com a maioria do partido no Senado.
Na quarta-feira (11/3), o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, celebrou a retirada da candidatura de Jeremy Carl, enfatizando a rejeição das visões supremacistas brancas e fanatismo de direita representadas por ele.
“É preocupante observar que Donald Trump continue indicando pessoas com visões supremacistas e antissemitas”, afirmou Schumer.
Apesar de alegar arrependimento por algumas declarações controversas, a comissão questionou Carl extensivamente sobre seu passado, o que contribuiu para a oposição bipartidária à sua nomeação.
