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Brasil

Incêndios no Amazonas aumentam, mas ficam abaixo da média histórica

Foto por MICHAEL DANTAS / AFP

O número de incêndios florestais no Amazonas mais que dobrou em 2026, afetando principalmente a população de Manaus, que tem enfrentado muita fumaça nas últimas semanas. De 1º de janeiro a 12 de outubro, foram registrados 7.815 focos de queimadas, um crescimento de 116% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram 3.611 focos.

Em setembro, 31% dos incêndios ocorreram em cidades próximas à capital, incluindo Autazes (313), Itacoatiara (200), Careiro da Várzea (134) e Manacapuru (133). A maior parte dos incêndios, porém, está nas regiões sul e sudeste do estado, que também possuem alto índice de desmatamento. Nesses locais, municípios como Lábrea (379), Novo Aripuanã (311), Boca do Acre (298), Manicoré (153), Humaitá (118) e Apuí (95) tiveram picos nos últimos 30 dias.

Dados do Programa Queimadas do Inpe, baseados em imagens de satélite, indicam que muitos focos estão concentrados ao longo da BR-319, que liga estas regiões a Manaus. Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam, comentou que isso demonstra um processo claro de ocupação humana nesses territórios.

Recentemente, o Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, visitou áreas afetadas e sugeriu que muitos incêndios são criminosos. O governo federal reforçou o combate com 11 aeronaves e 290 brigadistas. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas informou ter combatido 21.690 focos desde junho, incluindo 4.526 em Manaus.

Além disso, voluntários em cidades como Itacoatiara e Boa Vista do Ramos ajudaram no controle das chamas. O governo estadual afirmou que mantém ações contínuas de prevenção, fiscalização e combate desde fevereiro. Segundo o governo, a estiagem, altas temperaturas e o fenômeno climático El Niño influenciam o cenário, e cerca de mil profissionais atuam para conter os incêndios.

Embora o número de focos seja alto, ele está 12% abaixo da média histórica registrada desde 1998 e 67% inferior aos 23.475 focos de 2024, ano marcado por uma seca severa na Amazônia. O número total de focos na Amazônia subiu 58% em relação ao ano passado, mas permanece 53% abaixo da média histórica.

Ane Alencar acredita que os alertas da imprensa e órgãos públicos contribuíram para reduzir os incêndios este ano. Ela destaca que o padrão atual é parecido com 2023, quando o El Niño começa a ter efeito, intensificando a seca e o uso do fogo para atividades produtivas.

O fenômeno climático também altera os ventos, causando o acúmulo de fumaça na capital amazonense, o que explica a sensação sufocante enfrentada pela população de Manaus. A tendência é que os incêndios continuem com a progressão da seca, pois já há uma situação de estresse hídrico nas áreas próximas à cidade.

Normalmente, o ano seguinte ao início do El Niño registra maior impacto da seca na Amazônia, com menos chuvas durante a principal temporada de estiagem, que começa em maio. Apesar disso, a floresta só queima se o fogo for usado por pessoas. Ane Alencar ressalta ainda que o período eleitoral pode afetar a proteção ambiental, pois políticos locais podem deixar a questão de lado e a iminente vitória de candidatos sem forte agenda ambiental pode enfraquecer o combate ao fogo criminoso.

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