O número de pessoas feridas no incêndio que atingiu o bar Constellation, em Crans-Montana, Suíça, aumentou para 119, segundo informações oficiais do Cantão de Valais nesta sexta-feira (2/1). Pelo menos 40 pessoas perderam a vida nesse incidente, considerado um dos mais graves já ocorridos no país.
Das vítimas já identificadas, 113 foram registradas, majoritariamente adolescentes e jovens adultos por volta dos 25 anos. Frédéric Gisler, chefe da polícia do Valais, informou que o trabalho de identificação das vítimas fatais continua incessantemente.
“No que diz respeito às 40 pessoas falecidas, a identificação continua sem descanso. Esta é a prioridade máxima da polícia cantonal”, declarou ele.
Muitas das vítimas estão carbonizadas, o que complica e prolonga o processo de notificação aos familiares. Beatrice Pilloud, procuradora-chefe de Valais, ressaltou que a quantidade exata de pessoas presentes no bar no momento do incêndio ainda é desconhecida.
Além disso, cerca de 50 feridos serão transferidos para hospitais em diferentes países europeus, como França, Itália, Alemanha, Bélgica e Polônia, até este domingo (4/1). Esses pacientes serão tratados em centros especializados em queimaduras graves, conforme informou o Escritório Federal de Proteção Civil (FOCP).
Como começou o incêndio
O fogo teve início na madrugada de quinta-feira (1º/1), durante a festa de Ano Novo no bar Constellation, localizado dentro do complexo turístico de esqui de Crans-Montana. Testemunhas disseram que uma explosão antecedeu o incêndio, que se alastrou rapidamente.
De acordo com Beatrice Pilloud, fortes indícios apontam que o foco do incêndio foram velas de faíscas colocadas em garrafas de champanhe, dispositivos semelhantes a pequenos fogos de artifício, que foram posicionados muito próximos ao teto, iniciando o fogo.
“As próximas fases da investigação irão analisar o trabalho realizado no interior do bar, os materiais utilizados, as licenças vigentes e as medidas de segurança adotadas.”
Serão avaliados elementos como extintores, saídas de emergência, capacidade máxima permitida e número de pessoas presentes. Existe a possibilidade de processos criminais, e as autoridades buscam saber se os responsáveis ainda estão vivos.
Fuga dificultada pelo fogo
O incêndio começou por volta de 1h30 do horário local (20h30 de quarta-feira, horário de Brasília). Relatos indicam que as chamas tomaram o teto de madeira em poucos segundos, dificultando a evacuação.
“Não era possível enxergar nada. A iluminação era insuficiente, parecia impossível ver algo. Apenas uma porta de aproximadamente 1,5 metro de largura estava disponível para a saída de 200 a 300 pessoas. Muitas pessoas caíram e acabaram se sufocando”, relatou Axel, um dos sobreviventes.
Pessoas próximas ajudaram na remoção das vítimas e improvisaram atendimento em estabelecimentos vizinhos. As autoridades informam que a identificação das vítimas pode levar tempo devido ao estado dos corpos. Uma força-tarefa especial foi montada e canais oficiais foram disponibilizados para assistência às famílias.
Foram coletados vídeos e relatos de quem estava presente. A presidente da Suíça, Guy Parmelin, descreveu o ocorrido como uma das piores tragédias já vividas no país.

