O aumento das tarifas feitas pelos Estados Unidos teve um efeito temporário na economia brasileira em 2025, que cresceu 2,3% em comparação com o ano anterior. Essa análise foi apresentada por Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar das barreiras tarifárias, as exportações brasileiras subiram 6,2% no período. Segundo Rebeca Palis, os exportadores brasileiros buscaram novos mercados para não depender só dos Estados Unidos, que permanecem como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Ela ressaltou que estas tarifas tiveram um efeito muito específico e limitado. Além disso, destacou que sem essas tarifas o crescimento das exportações poderia ter sido ainda maior, mas o aumento registrado já foi significante.
O tarifaço, implementado em agosto de 2025 pelo presidente americano Donald Trump, aumentou as taxas sobre produtos importados para proteger a indústria dos EUA e incentivar a produção local. No caso do Brasil, as tarifas chegaram a 50%, justificadas também como retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 por tentativa de golpe de Estado.
Desde então, os governos do Brasil e dos Estados Unidos estão negociando para fortalecer a parceria comercial. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6% em 2025.
Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA anulou a decisão de Donald Trump sobre as tarifas. Como resposta, o presidente estabeleceu uma tarifa de 10% para vários países. O Mdic informou que esta nova política tarifária deve beneficiar cerca de 46% dos produtos brasileiros que são exportados para os EUA.
