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quarta-feira, 07/01/2026

idosos que machucam a cabeça precisam ser observados por 24 horas

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VITOR HUGOI BATISTA
FOLHAPRESS

Idosos que sofrem quedas e machucam a cabeça, como aconteceu com o ex-presidente Jair Bolsonaro, devem ser avaliados por médicos rapidamente e permanecer sob observação de 12 a 24 horas, mesmo que a queda pareça leve e sem ferimentos visíveis, recomendam especialistas consultados pela Folha de S.Paulo.

De acordo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ele caiu enquanto dormia na madrugada de terça-feira (6). Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde novembro do ano passado, após tentar romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

“Não sabemos exatamente o horário da queda, e o Jair não lembra por quanto tempo ficou desacordado”, disse Michelle em uma postagem no Instagram.

“Já se passaram cerca de 6 horas e 36 minutos desde o ocorrido, sem que ele tenha feito os exames necessários para saber se houve algum dano ou lesão neurológica.”

Michelle explicou que a queda foi causada por uma crise, sem detalhar qual, e que o ex-presidente sofre de um caso raro de soluços, mesmo depois de três cirurgias.

Segundo Eduardo Cruz, geriatra e diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), é raro que alguém caia apenas por soluços intensos, mas medicamentos usados para tratar os soluços podem diminuir a capacidade do corpo de reagir, aumentando o risco de quedas.

“Muitos medicamentos para soluços são anticonvulsivantes ou sedativos, que reduzem a sensibilidade dos nervos que controlam o diafragma, podendo afetar o nível de consciência”, explica Cruz.

A Polícia Federal informou que Bolsonaro recebeu atendimento médico após relatar a queda e que foram encontrados apenas ferimentos leves, sem necessidade de hospitalização.

A defesa do ex-presidente suspeita de traumatismo e pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes a transferência para hospital devido à gravidade, pedido que foi negado.

O Hospital DF Star, onde Bolsonaro passou por cirurgias, declarou que não houve atendimento ao ex-presidente no dia da queda.

Em casos de traumatismo craniano leve, a neurocirurgiã Vanessa Milanese, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), diz que o mais importante é garantir acesso rápido a médicos e monitoramento constante, com remoção urgente ao hospital se houver piora.

“Enquanto houver sintomas, o mais seguro é ficar sob observação médica”, afirma Milanese. Ela destaca que em idosos, mesmo traumas leves devem receber atenção especial. Bolsonaro tem 70 anos.

O traumatismo craniano ocorre quando a cabeça recebe um impacto que pode lesar o cérebro, mesmo sem sinais externos como cortes ou hematomas.

Leve é quando há sintomas como dor de cabeça, tontura, náusea e confusão momentânea. Moderado ou grave inclui sonolência forte, dificuldade para falar, perda de força, desmaios ou convulsões. Alguns sintomas só aparecem horas ou semanas depois.

“Podem surgir dores de cabeça que duram, desequilíbrio, alterações de memória ou humor e convulsões”, explica Milanese. Nesses casos, é importante acompanhamento com neurologista, neurocirurgião e equipe de reabilitação, especialmente se houver piora, novas quedas ou dificuldade nas atividades diárias.

Como evitar quedas em idosos

Para evitar quedas, Cruz recomenda manter os ambientes bem iluminados, usar luz de cabeceira, deixar o piso livre de obstáculos como fios e móveis, e usar campainha para idosos que dependem de cuidados, para que possam pedir ajuda facilmente.

Calçados fechados no calcanhar devem ser preferidos em vez de chinelos que podem fazer a pessoa perder o equilíbrio.

“Andador só é indicado se houver problemas de equilíbrio ou marcha e com treinamento fisioterapêutico, caso contrário atrapalha”, alerta Cruz.

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