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sexta-feira, 06/02/2026

ibovespa tem pequena alta e dólar cai durante a semana

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São Paulo, 6 – Apesar de mostrar menos vigor comparado ao rali de janeiro, o Ibovespa fechou a primeira semana de fevereiro com um ganho de 0,87%. O índice teve um leve aumento de 0,45% no dia, alcançando 182.949,78 pontos, com um volume financeiro de R$ 30,1 bilhões. No acumulado do ano, o índice registra alta de 13,54%.

Durante o pregão, o Ibovespa se manteve próximo de 182 mil pontos, longe dos avanços dos índices americanos, mesmo com o dólar recuando cerca de 0,63%, cotado a R$ 5,2204 no fechamento. O rendimento do DI também caiu, mas a combinação favorável de câmbio e juros futuros não foi suficiente para combater a fadiga do mercado após recordes em janeiro, impulsionados por fluxo estrangeiro. Lá fora, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram altas significativas, chegando a 2,47%, 1,97% e 2,18%, respectivamente.

No mercado brasileiro, as principais ações operaram com desempenho misto. O Itaú PN se destacou com alta de 2,70%, impulsionado por resultados positivos do quarto trimestre de 2025. Entretanto, o Bradesco recuou, sofrendo quedas de 1,98% na ação ON e 2,55% na PN após divulgar números trimestrais e um guidance decepcionante. Vale ON caiu 0,95%, Petrobras perdeu 1,04% na ON e 0,95% na PN. Os maiores declínios no índice vieram de CSN (-3,94%) e Cogna (-3,30%). Por outro lado, as maiores altas foram da Direcional (+6,90%), Magazine Luiza (+5,70%) e B3 (+4,80%).

O economista Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, explica que fatores internos pesaram no desempenho. “A queda do minério de ferro, a oscilação do petróleo e o recuo nas ações do Bradesco pressionaram o mercado”, disse. “O banco reportou aumento na inadimplência e indicou provisões maiores para este ano, afetando todo o setor financeiro”, ressaltou.

Nos Estados Unidos, as bolsas tentaram se recuperar após perdas recentes, apoiadas na melhora do sentimento do consumidor. Porém, o avanço pode ser limitado devido a preocupações com altos investimentos em tecnologia, especialmente com a Amazon, que anunciou um plano de Capex maior do que o esperado, destacou Iarussi.

No mercado doméstico, o câmbio apresentou queda clara, chegando a testar a barreira de R$ 5,20, mas não conseguiu se manter abaixo dela, de acordo com Otávio Oliveira, gerente de Tesouraria do Daycoval. Ele afirmou que o fluxo estrangeiro que ajudou a impulsionar o Ibovespa parece ter estabilizado, e que o dólar encontrou um suporte mais firme próximo a R$ 5,20.

Porém, o pessimismo no mercado aumentou para o curto prazo, com a maioria dos participantes do Termômetro Broadcast Bolsa esperando queda para o Ibovespa na próxima semana, subindo para 50%, enquanto a percepção de alta caiu para 30%.

dólar

O dólar registrou queda firme no mercado brasileiro nesta sexta-feira, influenciado pela desvalorização global da moeda americana, recuperação dos preços das commodities e maior apetite por ativos com maior risco. O real se manteve forte mesmo com avanços do dólar no exterior, em meio a incertezas na economia dos EUA e à nomeação do ex-diretor do Federal Reserve Kevin Warsh para presidir o Banco Central americano.

A expectativa é que o real continue se beneficiando da diversificação global dos investidores, que estão diminuindo a exposição ao dólar. Apesar do início esperado do corte da taxa Selic em março, o juro local continua elevado, o que desestimula o posicionamento em dólar.

O dólar fechou cotado a R$ 5,2204, com queda de 0,63% no dia e baixa acumulada na semana de 0,52%. Em janeiro, o dólar teve a maior perda mensal desde junho de 2025, caindo 4,40%. Otávio Oliveira afirmou que o fluxo estrangeiro que ajudou a bolsa a bater recordes está se equilibrando, e o dólar parece estabilizado próximo de R$ 5,20.

No exterior, o índice DXY, que mede o dólar contra outras seis moedas fortes, caiu levemente, mas fechou a semana com ganho de 0,50%. O mercado sofreu volatilidade após a indicação de Warsh ao Fed, dada sua posição mais rígida no controle da inflação, dificultando cortes futuros de juros nos EUA.

André Valério, economista do banco Inter, ressaltou que a indicação de Warsh trouxe volatilidade ao mercado, afetando moedas emergentes como o real, e que os investidores digeriram a recente divergência entre indicadores econômicos americanos. Os dados mostraram atividade industrial acima do esperado, mas mercado de trabalho mais fraco, aumentando a volatilidade dos preços das commodities metálicas.

Valério ainda destacou a expectativa pelo relatório de emprego de janeiro, cuja divulgação no dia 11 pode indicar uma suavização da política monetária dos EUA, abrindo espaço para cortes de juros em março.

juros

Os juros futuros de longo prazo aceleraram alta na tarde de sexta-feira, inicialmente motivados por notícias de que o PT, na Câmara dos Deputados, pretende reduzir a autonomia do Banco Central após irregularidades no banco Master. A bancada petista planeja discutir com o ministro da Fazenda Fernando Haddad uma mudança constitucional para ampliar o controle sobre o BC.

Especialistas do mercado consideram pouco provável que a iniciativa tenha sucesso, mas a notícia contribuiu para inclinar a curva de juros, enquanto os prazos mais curtos caíram, refletindo confiança no início do ciclo de corte da Selic com 50 pontos-base em março.

A taxa do DI para janeiro de 2027 caiu ligeiramente, enquanto contratos para 2029 e 2031 subiram. Guilherme Rodrigues, gestor de renda fixa da Kinea Investimentos, avaliou que a notícia gerou um movimento típico em ciclos de flexibilização, com subida nas taxas de longo prazo e maior presença em prazos curtos, reforçando a expectativa de cortes futuros.

Os dados recentes da ata do Copom confirmam o corte de 50 pontos-base sem desconforto para o BC, com previsão de ajuste total de 300 pontos-base em 2026. A curva apresenta maior inclinação após a ata, e o mercado acompanha com cautela possíveis nomeações no BC, como a do secretário de Política Econômica Guilherme Mello, que ainda não confirmou convite para diretor do BC.

O relatório semanal do Santander mostra que o mercado precifica 80% de chance para corte de 0,5 ponto na Selic em março, com a taxa anual prevista em 12%. O banco reduziu a projeção para a taxa final do ano de 12,5% para 12%. Marco Antonio Caruso, do Santander, apontou que o BC se mostra confortável com essa expectativa e está mais otimista quanto à inflação, esperando IPCA de 3,7% ao fim do ano, abaixo da estimativa anterior de 3,8%.

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