O Ibovespa continuou sua sequência de alta pelo terceiro dia seguido, encerrando esta quarta-feira com um leve aumento de 0,28%, próximo aos 184 mil pontos. O índice oscilou durante o dia, mas conseguiu terminar no positivo, com movimentação financeira de R$ 26,5 bilhões. No acumulado da semana, o índice registra alta de 2,57%, apesar de uma queda mensal de 2,55%. No ano, o crescimento acumulado é de 14,18%.
Enquanto o mercado em Nova York teve desempenho misto — Dow Jones caiu 0,61%, S&P 500 teve leve queda de 0,08%, e Nasdaq subiu 0,08% — a bolsa brasileira teve um resultado positivo graças à valorização de ações da Petrobras, que avançaram 4,89% na ON e 4,36% na PN. Outras ações que se destacaram positivamente foram Cury (+4,13%), Lojas Renner (+3,02%) e Braskem (+2,38%). Por outro lado, as ações de Raízen (-5,77%), MBRF (-4,24%) e Cosan (-2,29%) tiveram quedas.
Nicolas Gass, estrategista e sócio da GT Capital, comenta que o Ibovespa está em um movimento bastante lateralizado. Ele observa que, sem a forte contribuição da Petrobras e outras empresas do setor de petróleo, o índice provavelmente teria apresentado queda, acompanhando os mercados internacionais. O fechamento do Estreito de Ormuz tem causado impacto direto no transporte global de petróleo, fazendo o preço da commodity subir enquanto as bolsas enfrentam dificuldades.
Nicolas Merola, analista da EQI Research, destaca que o cenário atual permanece incerto devido ao conflito entre EUA, Israel e Irã, dificultando previsões para o mercado e mantendo a volatilidade. Ele observa que, diferente do habitual, a demanda por títulos do Tesouro americano não aumentou apesar da busca por ativos seguros. O dólar se fortaleceu recentemente, revertendo seu enfraquecimento anterior que favorecia moedas emergentes como a brasileira.
O desempenho do Ibovespa está condicionado à movimentação de recursos estrangeiros e ao comportamento do câmbio, além do preço do petróleo, que subiu cerca de 5% após uma leve queda anterior. A tensão no Oriente Médio mantém o mercado da commodity em alerta, especialmente sobre a segurança do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Investidores também reagiram ao relatório da Opep sobre a demanda de petróleo e ao anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) de medidas para estabilizar o mercado. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a liberação coordenada de barris de petróleo será gradual, monitorando os efeitos no mercado.
No cenário interno, uma pesquisa Genial/Quaest revelou empate em simulação de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, ambos com 41% das intenções de voto. A pesquisa mostrou que 59% dos entrevistados não desejam que Lula faça mais um mandato, enquanto 37% apoiam sua reeleição.
dólar
O dólar à vista fechou praticamente estável, com leve alta de 0,03%, cotado a R$ 5,1593. O real teve bom desempenho, mesmo num ambiente externo de aversão ao risco e valorização da moeda americana, em meio às incertezas sobre a guerra no Oriente Médio. O dólar recuou nos últimos três pregões, acumulando queda semanal de 1,61%.
Analistas destacam que o real é menos afetado pela guerra devido ao Brasil ser um exportador líquido de petróleo e possuir uma taxa de juros real elevada. As apostas são de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adotará uma postura cautelosa e pode realizar uma redução inicial da taxa Selic em 0,25 ponto percentual em sua próxima reunião.
André Perfeito, economista da Garantia Capital, ressalta que o superávit na balança de petróleo do Brasil e a importância das empresas de commodities na bolsa local são fatores que favorecem a moeda brasileira, ajudando a mitigar os efeitos do conflito.
O preço do petróleo Brent voltou a subir, após uma queda expressiva, com o contrato para maio ultrapassando US$ 90 por barril. A incerteza gira em torno do tráfego pelo Estreito de Ormuz, que responde por cerca de 20% do fornecimento global.
A AIE anunciou a liberação de 400 milhões de barris de reservas emergenciais para conter a alta dos preços. Já no cenário internacional, Bruno Shahini, especialista da Nomad, comenta que o ambiente cauteloso e as expectativas sobre a política monetária americana têm impactado a valorização do dólar e o mercado em geral.
O índice do dólar (DXY) valorizou-se firmemente, superando os 99.000 pontos, indicando fortalecimento da moeda americana neste mês de março. Entre as moedas regionais, o peso colombiano também teve leve valorização, influenciado pelo petróleo.
A leitura do índice de preços ao consumidor (CPI) em fevereiro não alterou as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve, que ainda são consideradas prováveis para julho.
Isadora Ribeiro, economista da AZ Quest, aponta que o impacto da alta do petróleo deve aparecer na próxima leitura da inflação e que a taxa de juros nos EUA deve permanecer estável no próximo encontro do Fed.
O Banco Central informou que o fluxo cambial em março foi negativo até o dia 6, sobretudo devido a saída líquida pelo canal financeiro. No entanto, o saldo acumulado no ano permanece positivo.
Por fim, a pesquisa Genial/Quaest não teve impacto significativo no câmbio, refletindo a expectativa de disputa presidencial muito equilibrada, enquanto o foco do mercado permanece nas decisões econômicas do Fed e Copom, diante do impacto da guerra sobre a inflação.
juros
As taxas de juros futuros subiram nesta quarta, acompanhando o aumento do preço do petróleo e o aumento das preocupações com o conflito no Oriente Médio. Apesar do otimismo nas últimas sessões sobre um possível fim da guerra, as recentes tensões e os ataques na região aumentaram a cautela dos investidores.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para os anos seguintes subiram, refletindo a volatilidade e os impactos esperados na inflação e política monetária.
Felipe Tavares, economista-chefe do BGC Liquidez, explica que o mercado inicializou a semana com expectativas de alívio no conflito, mas os acontecimentos recentes reacenderam as incertezas, fazendo com que os investidores ajustem suas posições.
As perspectivas sobre cortes na taxa Selic em março mudaram, com probabilidades de um corte menor ganhando força, influenciadas pelas oscilações no preço do petróleo e condições do mercado financeiro.
Dados do comércio mostraram crescimento nas vendas no varejo restrito, contrariando expectativas de queda, embora o contexto do petróleo tenha influenciado o cenário econômico.
A pesquisa eleitoral não teve influência significativa nas taxas de juros, que continuam refletindo as preocupações com o impacto da guerra e as decisões dos bancos centrais.
Fonte: Estadão Conteúdo.
