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Economia

Ibovespa sobe com busca por investimentos mais arriscados e foco na eleição

Foto: Reprodução/ Flickr

O Ibovespa começou a semana com alta de 0,74%, aproximando-se dos 187 mil pontos. O bom desempenho foi influenciado pelo aumento da disposição dos investidores internacionais para assumir riscos, além da atenção voltada para a eleição que se aproxima.

Júlio César de Paula, gestor de renda variável, explicou que a queda no preço do petróleo ocorreu devido ao anúncio da Arábia Saudita de liberar mais barris, suavizando impactos na oferta após conflitos no Iêmen. Isso beneficiou ativos de risco globalmente, como o ETF EEM, que subiu 2,69%.

Guilherme Miranda, da Angatu Private, reforçou que a baixa no petróleo ajuda a controlar a inflação, favorecendo a valorização de ativos considerados mais arriscados.

Enquanto investidores buscam oportunidades com o impacto do petróleo na inflação, reduziram exposição à Petrobras, já que a queda no preço do petróleo reduz a margem de lucro da empresa. Essa queda nas ações da Petrobras e da Vale limitou o avanço do Ibovespa.

As notícias locais também influenciaram o mercado. Um plano econômico proposto por Flávio Bolsonaro, que inclui a extinção de alguns impostos criados no governo atual, ajudou o Ibovespa a se manter positivo.

As propostas dos candidatos à Presidência ganham importância, já que o mercado espera pesquisas eleitorais que indiquem uma possível mudança de governo, o que pode significar maior rigor fiscal.

Bruno Perri, economista da Forum Investimentos, ressalta que pesquisas recentes confirmam a preferência por Flávio Bolsonaro, trazendo perspectivas fiscais melhores e queda nas taxas de juros, que favorecem ativos de risco no Brasil.

Dólar

O dólar abriu a semana em queda frente ao real, próximo de R$ 5,10, em um cenário de maior apetite por risco no exterior. O real está entre as moedas emergentes com melhor desempenho, impulsionado pela expectativa de vitória da oposição na eleição e ajuste nas contas públicas.

Pesquisas indicam empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para o segundo turno, mantendo a expectativa do mercado sobre o resultado da disputa.

Luciano Sobral, economista da Neo Investimentos, alerta que a confiança do mercado pode estar exagerada quanto à mudança de governo.

O dólar encerrou o dia em baixa de 0,70%, cotado a R$ 5,1084, acumulando queda de 1,38% em setembro e ficando entre as moedas com maior valorização contra o dólar em 2026.

Mark McCormick, da BMO Capital Markets, afirma que o foco do mercado deveria ser menos sobre quem ganha a eleição e mais sobre como o próximo governo enfrentará o desafio fiscal do Brasil.

Bruno Perottoni, do Braza Bank, destaca que mesmo com o real valorizado, há uma demanda alta por dólares à vista no Brasil, o que pode indicar uma procura maior do que o normal pela moeda americana.

O Banco Central interveio três vezes no mercado cambial em agosto, com oferta total de US$ 3 bilhões, buscando estabilizar a moeda.

O dólar mostrou fortalecimento contra o euro, iene e libra, devido à alta dos rendimentos dos títulos de curto prazo nos EUA e expectativa de aperto monetário.

Matthew Ryan, da Ebury, observa que a alta dos juros em países desenvolvidos eleva o dólar frente às principais moedas, com revisões para cima nas projeções de políticas monetárias.

Juros

Os juros futuros começaram a semana com queda, influenciados pela expectativa de vitória da oposição nas eleições brasileiras e pela queda no preço do petróleo, que aliviou as curvas de juros globais.

O contrato DI para janeiro de 2027 fechou estável em 13,55%, enquanto os vencimentos 2029 e 2031 caíram para mínimas intradia, refletindo maior otimismo do mercado.

O petróleo Brent para novembro encerrou com queda de 3,40%, em US$ 100,34, marcando sua quarta baixa consecutiva, sustentada por retomada de fluxos e negociações internacionais.

Marc Chandler, da Bannockburn Capital Markets, comentou que a queda prolongada do petróleo ajuda na recuperação dos títulos e ações americanos e europeus.

A expectativa por um encontro entre os presidentes dos EUA e China, marcado para esta semana, contribui para a melhora do apetite por risco global.

Cristiano Oliveira, do banco Pine, ressalta a relevância da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping como teste para acordos e gestão das divergências estratégicas entre as duas potências.

Alexandre Espirito Santo, da Way Investimentos, atribui parte da queda dos juros ao otimismo sobre a possível vitória da oposição e um ajuste fiscal mais rigoroso em 2027.

Enquanto pesquisas mostram empate técnico entre os candidatos, plataformas internacionais indicam maior probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, o que gera otimismo no mercado.

Notícias envolvendo o STF e seus ministros também contribuíram para o clima positivo no mercado.

O boletim Focus indicou uma redução na projeção da Selic terminal para 2025, de 13,75% para 13,50%, apontando para possível corte da taxa em novembro.

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