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sábado, 30/08/2025

Ibovespa perde força à tarde mas renova também recorde de encerramento

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Na última sexta-feira, o Ibovespa começou o dia em alta e chegou a renovar seu recorde intradiário, alcançando 142.378,69 pontos, mas perdeu força durante a tarde. Apesar disso, o índice da B3 fechou no maior nível da história, superando a marca do dia 4 de julho.

A abertura foi em 141.048,97 pontos, com mínima de 141.000,04, encerrando o dia com alta de 0,26%, aos 141.422,26 pontos e um volume financeiro de R$ 23,2 bilhões.

Na semana, o Ibovespa acumulou uma valorização de 2,50%, marcando o quarto avanço semanal consecutivo, sendo o melhor desempenho desde o início de agosto. No mês, a alta foi de 6,28%, a maior para o índice desde agosto anterior. No ano, o índice apresenta crescimento de 17,57%, e esta última alta configurou o terceiro dia consecutivo de ganhos.

Considerando a cotação em dólar, o Ibovespa encerrou julho em 23.759,29 pontos, abaixo dos 25.552,45 de junho, impactado pela valorização do dólar frente ao real. Atualmente, o índice ajustado pela variação cambial está em 26.083,04 pontos.

Rodrigo Moliterno, responsável pela área de renda variável da Veedha Investimentos, destaca que notícias positivas dos Estados Unidos, como a inflação conforme medição preferida do Fed, reforçam a expectativa de cortes nas taxas de juros já em setembro, sustentando o desempenho das ações de consumo, embora o setor tenha mostrado fraqueza moderada ao final do pregão.

Setores como metais básicos tiveram desempenho negativo, com queda nos papéis da CSN, Usiminas e Gerdau. O índice de materiais básicos terminou o dia com ligeira baixa de 0,18%.

Entre os destaques positivos do Ibovespa, estiveram ações da Raízen, que subiram 7,34%, Marfrig com 5,37% e Magazine Luiza, que avançou 4,46%. Os principais recuos foram observados em RD Saúde (-6,90%), Porto Seguro (-1,99%) e Prio (-1,84%). As ações da Petrobras apresentaram alta, enquanto os bancos tiveram ganhos variados, com Banco do Brasil liderando com 1,62% de alta.

Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital, ressaltou a reação positiva das ações da Raízen após o anúncio da venda de duas usinas por R$ 1,54 bilhão, o que contribui para a redução da alavancagem da empresa. Por outro lado, apontou que as ações da Natura recuaram depois de ganhos anteriores.

O cenário semanal é favorável para o Ibovespa, que mantém posição acima das médias móveis e apresenta tendência de alta no médio prazo, podendo alcançar a faixa entre 143,9 mil e 146,8 mil pontos, de acordo com o especialista Gabriel Cecco, da Valor Investimentos. Ele cita um suporte importante entre 137 mil e 138 mil pontos.

Lucas Carvalho, head de Research da Toro Investimentos, reforça a superação de resistências no indicador, reforçando a tendência positiva para os próximos dias.

De acordo com a economista Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, o Ibovespa se destacou globalmente, superando fases desafiadoras no mês de julho, mesmo com incertezas ligadas à aplicação da Lei da Reciprocidade nas relações comerciais do Brasil com os Estados Unidos.

Dólar

O índice perdeu força no período da tarde após revisar recorde intradiário, ainda assim fechou no maior patamar já registrado. A volatilidade acompanhou as oscilações no câmbio, que sofreu apreciação de 3% frente ao real no mês de julho.

O Ibovespa ajustado pela variação do dólar está em 26.083,04 pontos.

Juros

No último pregão de agosto, a curva de juros futuros subiu, principalmente nos vencimentos intermediários, devido a preocupações com possíveis retaliações comerciais dos EUA após o governo brasileiro sinalizar a aplicação da Lei da Reciprocidade. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) entre 2027 e 2031 apresentaram aumento nas taxas.

Claudio Pires, CIO da MAG Investimentos, afirmou que o mercado foi pego de surpresa pela decisão do governo, o que ocasionou aumento nas taxas durante o pós-fechamento e o pregão do dia seguinte. Ele alerta para o risco de agravamento das tensões comerciais, em um cenário semelhante ao da China, o que poderia prejudicar o comércio bilateral.

Os dados fiscais do Brasil mostram déficit primário de R$ 66,566 bilhões em julho, com aumento da dívida pública para 77,6% do PIB. Segundo Pires, os investidores estão mais atentos ao cenário político e eleitoral do que aos indicadores fiscais neste momento.

A curva de juros apresentou movimentos mistos, com redução mais expressiva nas taxas de vencimento longo, incentivada por menor oferta de títulos do Tesouro Nacional, e certa estabilidade nos vencimentos curtos.

O cenário político, incluindo a possível candidatura do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas para a presidência em 2026, contribui para alívio nas taxas, pela expectativa de uma política fiscal mais rigorosa no futuro.

Apesar das dificuldades fiscais e tensões com os Estados Unidos, o mercado de juros fechou agosto em alta, destacando o recuo das taxas do DI para 2027, abaixo dos 14%, um patamar simbólico importante.

Claudio Pires complementa que a inclinação da curva foi influenciada pelo discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, e pela percepção de que o Brasil poderá evoluir em ajustes fiscais, enquanto o contexto eleitoral atualmente domina os investidores.

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