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quinta-feira, 29/01/2026

Ibovespa fecha em baixa, mas acumula alta de 13,66% no mês

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O Ibovespa teve uma queda na penúltima sessão do mês, atingindo o mínimo em 181.566,56 pontos, depois de abrir o dia em 184.691,70 pontos. No entanto, chegou a bater recorde intradiário aos 186.449,75 pontos antes de fechar com baixa de 0,84%, em 183.133,75 pontos, com um volume financeiro forte de R$ 39 bilhões. Apesar da queda na sessão, o índice mantém alta de 13,66% no mês, caminho para seu melhor desempenho desde novembro de 2020.

No segmento metálico da B3, houve pressão negativa no índice, exceto pela Vale, que subiu 0,51%. O setor financeiro também pesou na queda, mas Petrobras se destacou positivamente, subindo 0,65% e 0,96% nas suas ações ON e PN, apoiada por ganhos nos contratos futuros do petróleo em Londres e Nova York, acima de 3%.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, comenta que a queda foi impulsionada pela realização de lucros, influenciada pelo resultado da Microsoft e expectativas menores para a demanda em nuvem. Ele destaca que os fluxos para o Brasil permanecem positivos, com diferencial grande nos juros e carry trade beneficiando tanto a bolsa como o câmbio.

Jose Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos, relata que balanços das grandes empresas de tecnologia e investimentos altos em inteligência artificial reduziram o apetite por risco, dificultando a alta doméstica. Ele explica que a volatilidade no índice foi influenciada tanto pela reprecificação local pós-Copom quanto pela aversão a risco no mercado internacional.

Já os bancos tiveram variações nas ações, com perdas relevantes no Santander e BTG, enquanto o Banco do Brasil subiu 0,39%. No setor metálico, as quedas foram mais significativas, chegando a 5,13% em Metalúrgica Gerdau. Entre os papéis que mais valorizaram, destacaram-se Prio, Petrobras, Brava, B3 e WEG, com predominância do setor de energia.

dólar

O dólar à vista fechou em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,1936, após oscilar durante o dia entre R$ 5,1659 e R$ 5,2488. A moeda acumula perdas na semana e no mês, em um cenário influenciado principalmente por fatores globais. A alta dos preços do petróleo atingindo cerca de 4% também influenciou positivamente o real.

O real se mostra atraente para investimentos de carry trade e valorização no curto prazo, mesmo após o Banco Central do Brasil manter a Selic em 15% ao ano, mas sinalizando início de cortes em março. Estratégias de economistas estão divididas sobre o tamanho da redução de juros que pode ocorrer.

Ricardo Chiumento, superintendente da Tesouraria do BS2, considera a queda do dólar um movimento especulativo amplo, motivado por perspectivas da economia dos EUA e riscos políticos locais. Ele destaca que o fortalecimento do real ocorre devido à migração global para ativos de mercados emergentes e que o desempenho da moeda doméstica não deve explicação local específica.

juros

A queda dos juros futuros foi retomada, influenciada pelos dados do mercado de trabalho e pela sinalização clara do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o início do ciclo de cortes da Selic em março. O mercado reagiu com ajuste para baixo dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI), que mostraram quedas significativas nos diferentes prazos.

O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrando perdas maiores de vagas formais, reforçou a expectativa de redução dos juros. Segundo André Valério, economista, o cenário desenhado pelo Copom está compatível com os dados recentes, apoiando o início dos cortes no próximo mês.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que o mercado já ajustou as apostas para um corte de 0,5 ponto percentual da Selic em março, antes estimado em 0,25. Já Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, aponta uma alta probabilidade (80%) de que o corte seja de 0,5 ponto, e a taxa Selic terminaria o ano de 2026 em 11,5%.

Com esse cenário de afrouxamento monetário próximo, o Citi retomou posições no mercado de juros futuros brasileiro, prevendo corte nas próximas reuniões.

Estadão Conteúdo

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