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quinta-feira, 08/01/2026

ibovespa cai e fecha em 161 mil; dólar sobe levemente em dia difícil para commodities

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O Ibovespa recuou nesta quarta-feira, fechando aos 161.975 pontos, uma queda de 1,03% em relação ao dia anterior. O mercado financeiro negociou cerca de R$ 24,9 bilhões durante o pregão, com o índice buscando o patamar mínimo de 161.745 pontos. Apesar disso, o índice ainda acumula uma leve alta de 0,89% na semana e 0,53% no ano.

O relatório da ADP mostrou que a criação de empregos no setor privado dos Estados Unidos foi menor do que o esperado, com 41 mil vagas geradas em dezembro contra uma previsão de 48 mil. Esse dado reforça a visão de uma desaceleração no mercado de trabalho americano, comentada por Luise Coutinho, que coordena produtos e alocação na HCI Advisors.

Luise Coutinho também destacou que o Federal Reserve está dividido, com dados fracos de emprego dando motivos para alguns membros apoiarem a redução das taxas de juros, mas que a inflação persistente e questões fiscais dificultam essa decisão. A expectativa do mercado é que o banco central mantenha a taxa de juros estável na próxima reunião, prevista para 28 de janeiro.

Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, observa que esses dados mais fracos indicam uma possível desaceleração econômica nos Estados Unidos, podendo até levar a uma recessão, apesar das tentativas de redução dos juros. Nos mercados americanos, os principais índices tiveram variações mistas, com o Dow Jones caindo 0,94% e a Nasdaq subindo 0,16%.

No Brasil, os investidores também aguardam a divulgação do IPCA de dezembro, prevista para sexta-feira, que é um dado econômico importante para o país.

O mercado local respondeu com cautela às recentes notícias sobre a invasão americana à Venezuela e a maior oferta de petróleo aos Estados Unidos, o que prejudica os preços das commodities e afeta principalmente as ações da Petrobras. O economista Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, ressaltou que a maior oferta de petróleo via Venezuela pode manter os preços do petróleo pressionados no médio prazo.

Gustavo Gomes, responsável pela renda variável na AVIN, explicou que a bolsa brasileira reflete um momento de cautela e realização de lucros após ganhos significativos de cerca de 34% em 2025, com investidores buscando proteger seus resultados.

dólar

O dólar apresentou leve alta, subindo 0,13% e fechando a R$ 5,3870, após uma sequência de quatro quedas consecutivas. O mercado de câmbio doméstico registrou ajustes e realização de lucros em meio a um ambiente desfavorável para moedas emergentes. A moeda americana é influenciada pela expectativa de que o Federal Reserve mantenha a taxa de juros estável, sustentada também por dados econômicos e por questões geopolíticas relacionadas à Venezuela e Groenlândia.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, destacou que a alta do dólar está alinhada com o comportamento de outras moedas emergentes e pode ter sido influenciada por fatores técnicos de correção, além dos ruídos institucionais envolvendo o Banco Master.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a moedas fortes, teve leve alta no fim do dia, indicando valorização da moeda americana em janeiro.

Os dados sobre emprego e atividade nos EUA continuam no foco do mercado, com atenção especial para o relatório oficial de empregos, o payroll, que será divulgado na sexta-feira e pode impactar as próximas decisões do Federal Reserve.

O Banco Central do Brasil informou que o fluxo cambial foi negativo em US$ 13,562 bilhões em dezembro, com saídas líquidas de US$ 20,982 bilhões no canal financeiro, que inclui remessas de lucros e dividendos. No acumulado do ano, o saldo cambial foi deficitário em US$ 33,3 bilhões. O economista Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia, relaciona esse fluxo negativo ao pessimismo político que afetou o real, que teve o pior desempenho entre moedas emergentes em dezembro.

juros

Os juros futuros negociados na B3 tiveram um dia de estabilidade relativa, sem grandes variações e com liquidez baixa. A curva a termo apresentou pequena oscilação, com o volume de negócios reduzido neste início de ano, segundo economistas consultados.

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, 2029 e 2031 encerraram o dia com variações pequenas, refletindo cautela no mercado.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro se mantiveram estáveis ou com leve queda, apoiados pelos dados fracos do mercado de trabalho, que favorecem a redução das taxas de juros.

O relatório ADP confirmou a desaceleração na criação de empregos no setor privado dos EUA, com dados abaixo do esperado, e o relatório Jolts mostrou uma queda nas vagas disponíveis, indicando um mercado de trabalho menos aquecido.

A consultoria BuysideBrazil reforçou que o cenário atual sugere um mercado de trabalho em moderação, com geração de empregos mais lenta e ajustes nas demissões.

No Brasil, o calendário econômico não traz eventos que possam influenciar significativamente os juros futuros até sexta-feira, além do payroll nos EUA e do IPCA local.

Tiago Hansen, da Alphawave Capital, e Gustavo Cruz, da RB Investimentos, comentam que a expectativa de corte na taxa Selic em março está ganhando consenso no mercado, embora haja divergência quanto ao momento exato do início dos cortes.

A Santander Asset projeta que a Selic deverá ficar em 12,5% ao final de 2026, com possibilidade de cortes iniciando já em janeiro caso o real se valorize mais intensamente ou haja sinais claros de desaceleração econômica.

A instituição mantém uma perspectiva positiva para o mercado de renda fixa local, considerando o processo de relaxamento monetário nos EUA e a evolução favorável da inflação no Brasil.

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