O Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores do Brasil, atingiu um novo recorde ao fechar acima dos 166 mil pontos pela primeira vez na história. Na terça-feira (20), o índice subiu 0,87%, fechando aos 166.277 pontos, impulsionado principalmente por ações de mineradoras, bancos e petroleiras, que são os setores mais influentes no índice.
Durante o dia, o mercado apresentou variações, com quedas durante a manhã e uma desaceleração à tarde influenciada pelo discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Porém, o Ibovespa se recuperou nos minutos finais, graças à abertura positiva das bolsas americanas e ao deslocamento de investimentos para mercados emergentes, o que ajudou a reduzir as pressões externas.
No mercado de câmbio, o dólar aumentou 0,3%, fechando vendido a R$ 5,375. Durante a manhã, chegou a atingir R$ 5,40, mas perdeu força ao longo do dia.
As tensões políticas entre os Estados Unidos e a Europa foram a principal fonte de instabilidade. O presidente francês, Emmanuel Macron, ameaçou aplicar tarifas de até 93 bilhões de euros contra produtos americanos, em retaliação às ameaças de Donald Trump de anexar a Groenlândia e aumentar tarifas sobre importações europeias. O Parlamento Europeu também pausou um acordo comercial fechado em julho do ano anterior, que previa tarifas de 15% dos EUA sobre produtos da União Europeia.
Já no Brasil, a diferença entre as taxas de juros locais e americanas ajudou a minimizar os impactos. Investidores estrangeiros, buscando fugir das quedas nas bolsas dos EUA, foram atraídos pelos altos rendimentos brasileiros, aliviando a pressão sobre o real e o Ibovespa.
Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irá se reunir para discutir a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano – a maior em quase 20 anos – o que pode afetar os rumos do mercado financeiro do país.
