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Economia

Ibovespa bate novo recorde com alta forte na semana e foco nas eleições

Reprodução/ Flickr

São Paulo, 09 – O Ibovespa fechou a primeira semana completa de outubro com um desempenho muito positivo, impulsionado pela expectativa dos investidores sobre uma possível mudança na presidência do país após o resultado do primeiro turno, que consolidou o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições. Na semana, o índice subiu 8,82%, a melhor performance semanal desde março de 2020, atingindo a marca histórica de 209.066,90 pontos, com alta diária de 1,38%. No mês, o índice acumula crescimento de 12,2% e, no ano, 29,7%. O volume financeiro negociado no dia chegou a R$ 39 bilhões.

O desempenho da bolsa acompanhou também um sentimento positivo nos mercados emergentes internacionais, com o ETF EEM registrando alta de 1,06% no dia. As bolsas de Nova York fecharam em alta tanto no pregão como na semana.

Os preços do petróleo aumentaram na sessão regular, mantendo os contratos Brent acima dos US$ 100 por barril, o que atrai a atenção dos investidores pelo impacto possível na inflação mundial. Ao mesmo tempo, essa valorização favorece as ações da Petrobras, enquanto analistas e operadores destacam fatores internos como principais impulsionadores do mercado de ações brasileiro.

O chefe de pesquisa da Eleven Financial, Fernando Siqueira, atribui a forte alta da semana à reação positiva às eleições e ao retorno de investidores que estavam pouco expostos ao mercado de ações. “A valorização reflete essa dinâmica. O mercado estava com baixa participação em ações, tanto de investidores locais quanto estrangeiros”, explicou.

Para Fernando Siqueira, a continuidade desse movimento depende da confirmação das expectativas políticas e econômicas já incorporadas nos preços. “É difícil prever se a alta será duradoura. Isso vai depender da confirmação do cenário eleitoral e, principalmente, da implementação das reformas esperadas para o próximo ano.”

O fundador e gestor da RAM Capital, Paulo Renoldi, destaca que a queda dos juros de longo prazo foi outro fator importante, pois reduz a atratividade dos títulos públicos e aumenta o interesse por ações. “Quanto menor a remuneração de ativos considerados livres de risco, maior a disposição para investimento em renda variável,” explicou.

Paulo Renoldi enfatizou que essa dinâmica favoreceu especialmente as ações de pequenas empresas e companhias com maior endividamento, que foram mais afetadas pelo período de juros altos e agora apresentam desempenho superior ao índice geral.

As small caps, medidas pelo índice SMLL, subiram 4,26% no dia e 20,14% na semana, enquanto o setor imobiliário (IMOB) avançou 5,49% no dia e 20,77% na semana. O índice ICON, que reúne empresas de consumo e varejo, teve alta de 3,49% no dia e 17,70% na semana.

Paulo Renoldi acrescenta: “O mercado de ações ainda tem espaço para crescer, as small caps também, mas os juros podem cair ainda mais. Se houver ajuste fiscal relevante no próximo governo, a taxa de juros deve recuar bastante.”

Dólar

O dólar caiu firmemente nesta sexta-feira, 9, fechando novamente abaixo de R$ 5,00 após dois pregões consecutivos. Além do ambiente externo favorável ao risco, a moeda brasileira se valorizou também diante do aumento das chances de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer as eleições presidenciais. A vitória da oposição é vista pelo mercado financeiro como crucial para mudanças na política fiscal a partir de 2027.

Pesquisas de intenção de voto divulgadas por Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg mostram Flávio Bolsonaro à frente do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para o segundo turno.

A divulgação de um suposto áudio envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que indicaria repasses para produção de documentário sobre Lula, contribuiu para fortalecer a percepção de favoritismo de Flávio Bolsonaro. No entanto, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria Geral da República afirmam desconhecer a gravação, indicando que sua divulgação pode ser uma estratégia da defesa de Vorcaro para influenciar a eleição.

O advogado Daniel Bialski, integrante da defesa de Vorcaro, também declarou desconhecer as supostas declarações atribuídas ao ex-banqueiro sobre o financiamento ao documentário.

Após atingir a mínima de R$ 4,9766 no início da tarde, o dólar à vista fechou em R$ 4,9851, com queda de 0,78%. Entre as moedas mais líquidas, o real teve o segundo melhor desempenho, atrás apenas do peso colombiano.

Ao fim da semana após o primeiro turno, o dólar acumulou perda de 4,44% no mercado local, fazendo o real ser a moeda com maior valorização nesse período. No ano, o dólar recua 9,18%.

Ricardo Chiumento, chefe da Tesouraria do BS2, comentou que a queda do dólar e a valorização do real refletem a esperança de um ajuste completo na política fiscal e econômica. Ele ressalta, porém, que a continuidade da queda para níveis em torno de R$ 4,70 dependerá do plano econômico oficial, que ainda não está definido, já que Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno sem equipe formada.

O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,08%, com perdas do iene e do euro, este último no menor nível em mais de dois anos. As taxas dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 e 2 anos voltaram a subir. O preço do petróleo teve leve alta, mas recuou no pregão eletrônico após acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para fornecimento imediato de diesel.

Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil, alerta para os impactos da redução do diferencial entre os juros reais do Brasil e dos EUA sobre a taxa de câmbio. Enquanto a taxa real americana sobe, a brasileira cai, influenciada pela expectativa de alternância de poder. Esse cenário pode limitar uma nova valorização do real.

De acordo com Mark McCormick, estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, a possível elevação de juros pelo Federal Reserve neste ano deve restringir o fortalecimento do real. Ele acredita que a valorização rápida do real após o primeiro turno foi exagerada.

Mark McCormick ressalta também que o corte de gastos enfrentará dificuldades devido a regras constitucionais e despesas obrigatórias, prevendo que a taxa câmbio volte a se aproximar de R$ 5,10 antes do fim do ano.

Juros

Os juros futuros encerraram a semana acompanhando a expectativa de que uma mudança no governo em 2027 é provável. As taxas recuaram firmemente depois das primeiras pesquisas do segundo turno mostrarem Flávio Bolsonaro mantendo vantagem sobre Lula.

O chamado ‘trade eleitoral’ impulsionou o mercado mesmo com a inflação de setembro acima do esperado, mantendo o rali iniciado na segunda-feira. Algumas instituições elevaram a previsão para o IPCA de 2026, porém, a expectativa de ajuste fiscal com a oposição ainda motiva revisões para queda da Selic.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou entre 13,441% e 13,439%, o DI para 2029 caiu para 12,220%, e o de 2031 para 12,245%.

Na semana, houve grande queda nas taxas longas, cerca de 150 pontos-base nas taxas dos contratos para 2029 e 2031, enquanto a ponta curta manteve-se estável.

A pesquisa Atlas/Bloomberg revelou que Flávio Bolsonaro tem 51,1% das intenções de voto para o segundo turno, 5,4 pontos à frente de Lula. Em votos válidos, Flávio Bolsonaro aparece com 52,8%. A pesquisa Datafolha indicou empate técnico, com 49% para Flávio contra 45% para Lula.

Um economista de grande tesouraria, falando sob anonimato, afirmou que a valorização dos ativos domésticos é justificada, dado o cenário eleitoral: “Há 99% de chances de vitória do Flávio“, comentou, observando que notícias recentes contribuíram para aumentar o otimismo.

Fernando Saad Benatti, estrategista global da Avenue, explicou que a reação positiva dos ativos ocorreu localmente, pois o dólar se fortaleceu globalmente, mas se desvalorizou contra o real, refletindo um cálculo de probabilidades que beneficia a perspectiva de um ajuste fiscal mais consistente com Flávio Bolsonaro.

Ele acrescentou que um índice de inflação maior normalmente pressionaria os juros, o que não ocorreu desta vez.

Em setembro, o IPCA registrou alta de 0,82%, perto do teto das estimativas. O aumento foi puxado pelo fim de um bônus na energia elétrica, pela alta dos alimentos, combustíveis e passagens aéreas.

O economista Adriano Valladão, do Santander, revisou para cima a previsão de alta do IPCA em 2026, de 5,0% para 5,2%, devido a indicadores mais fortes do que o esperado.

A consultoria BuysideBrazil manteve a previsão de alta do índice para este ano em 5,1%, mas reduziu a projeção para a taxa Selic terminal de 2027 de 12% para 11%, em função de expectativas de maior ajuste fiscal no próximo ano. A meta para o fim deste ano permanece em 13,25%.

Estadão Conteúdo

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