O Ibovespa alcançou pela primeira vez a marca de 191 mil pontos, fechando o dia em 191.490,40 pontos, um aumento de 1,40%. Este é o 13º recorde de fechamento do índice da B3 desde janeiro, com um volume de negociações de R$ 33 bilhões. No ano, o índice acumula alta de 18,85%.
As ações do setor bancário recuperaram valor, com o Santander se destacando com alta de 3,41%. Outros bancos como Banco do Brasil ON e Itaú PN também exibiram crescimento. Apesar da queda no preço do petróleo, as ações da Petrobras subiram mais de 2%, assim como as da Vale. Entre as maiores altas do índice, destacam-se IRB, Vamos e Natura, enquanto Minerva, Copasa e Metalúrgica Gerdau tiveram as maiores quedas.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, explicou que o setor financeiro sofreu uma correção na segunda-feira, devido à cautela no mercado externo, mas que o fluxo de investimentos na B3 continua forte, beneficiado pela desvalorização do dólar.
Rubens Cittadin, operador de renda variável da Manchester Investimentos, acrescentou que a realização de lucros de segunda-feira foi influenciada pela cautela externa e afetou principalmente o setor financeiro, que vinha forte.
Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, destacou que o mercado ainda observa os impactos das disputas comerciais entre Estados Unidos e Irã, além das incertezas sobre futuras tarifas impostas pelo governo Trump.
Josias Bento, sócio da GT Capital, comentou que as ações da Petrobras continuam em alta, mesmo com pressão negativa nos preços do petróleo, devido à entrada de investidores estrangeiros e à recuperação das bolsas americanas.
dólar
O dólar registrou sua quarta queda consecutiva, terminando em R$ 5,1554, uma baixa de 0,26%, aproximando-se dos menores níveis desde maio de 2024. O real se valorizou graças a um forte fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros e ao bom desempenho do Ibovespa.
Pela manhã, a moeda americana chegou a subir, mas reverteu o movimento à tarde com a melhora no sentimento do mercado externo. Problemas políticos e fiscais internos perderam relevância diante desse cenário.
Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, atribuiu a valorização do real à contínua entrada de recursos em mercados emergentes e à redução do apetite por ativos em dólar. Ele citou dados recentes que mostraram ingresso líquido significativo de capital externo no Brasil.
Costa também relatou que a expectativa de cortes futuros de juros nos EUA favorece o mercado brasileiro e o real, com a inflação americana prevista para diminuir até o final do ano.
O governo dos EUA confirmou uma tarifa global de 10% sobre importações válidas por 150 dias, abaixo da expectativa anterior de 15%, o que contribuiu para aliviar preocupações no mercado.
juros
O leilão de títulos atrelados ao IPCA trouxe alívio para a curva de juros futuros no Brasil, devido a fatores técnicos e ao otimismo provocado pelo cenário político, em meio à expectativa de melhores resultados eleitorais para o senador Flávio Bolsonaro.
Apesar dos ajustes modestos nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro, o interesse por títulos prefixados e de juros reais se mantém forte, indicando demanda consistente do mercado.
Além disso, o ambiente positivo no exterior, com ações retomando o crescimento após dias de incertezas, sustentou o bom humor entre investidores brasileiros.
O estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital, e o gestor de renda fixa da Inter Asset, Ian Lima, destacaram a boa absorção dos papéis ofertados e a posição firme dos investidores diante do cenário atual.
Expectativas eleitorais também influenciam o mercado, com concorrentes políticos de Lula ganhando terreno, o que pode impactar a percepção de risco e o comportamento dos juros nos próximos dias.
Em resumo, o Ibovespa segue em alta, impulsionado por um cenário doméstico e internacional favorável, enquanto o dólar e os juros refletem uma conjuntura de maior confiança dos investidores.

