A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que as fortes chuvas alcançaram 6.333.727 moradores do estado, prejudicando 2.328.093 domicílios nas regiões mais impactadas.
Os números foram obtidos a partir de uma análise das condições físicas das casas após as inundações. Segundo o IBGE, 55,5% das pessoas afirmaram que suas residências sofreram algum tipo de dano. Dentre os imóveis afetados, 81.272 foram considerados destruídos e 190.253 sofreram danos graves, levando o instituto a afirmar que 11,7% dos domicílios ficaram em condições muito precárias.
A pesquisa contemplou 133 municípios. Entre os principais problemas nas áreas próximas às casas, destacam-se: ruas ou estradas danificadas, alagadas ou bloqueadas (62,3%), acúmulo de lixo e detritos (56,3%), domicílios danificados, destruídos, inundados ou isolados (54,1%) e falta de iluminação pública (53,9%).
O levantamento também apontou impactos nos serviços básicos e na saúde. Entre as casas afetadas, 66,3% tiveram interrupção no fornecimento de água e energia elétrica, e 61,5% ficaram sem acesso à internet. Além disso, 67,5% dos moradores relataram problemas de saúde causados pelas enchentes.
Após o desastre, 14,6% da população, o equivalente a 922.233 pessoas, mudou de residência. Em 37,9% dos casos, a mudança foi motivada pelas inundações. Entre os que se mudaram, 71,6% viviam em casas danificadas e 28,3% tinham renda familiar de até R$ 2 mil.
O IBGE informou que 24,9% dos moradores agora vivem em condições piores do que antes das enchentes, enquanto 17,3% afirmaram que a situação melhorou. A maior parte, 56,5%, disse que sua qualidade de vida não mudou.
Quanto à renda, 66,8% dos moradores ganham até R$ 5 mil por mês. A pesquisa mostrou também que 51,9% são mulheres, 48,1% homens, sendo a maioria branca (78,5%), seguida por pardos (14,3%) e pretos (6,7%).
Socialmente, os maiores problemas detectados foram saúde mental abalada (67,5%), interrupção da vida social ou convívio com família e amigos (58,4%) e dificuldades para ir ao trabalho, escola ou creche (57,3%).
Além disso, 484.221 domicílios (20,8% do total) receberam ajuda financeira do governo entre abril e maio de 2024. Também, 196.293 moradias (8,4%) tiveram ao menos um residente que precisou de atendimento médico devido às chuvas fortes.
No acesso às áreas afetadas, 652.107 casas ficaram impossibilitadas de ser alcançadas. Nos resgates, os meios de transporte mais usados foram os aquáticos (70%) e terrestres (34,6%). A maioria dos atendimentos foi realizada por voluntários (74,9%), seguidos por órgãos oficiais como Bombeiros, Forças Armadas e Defesa Civil (35,4%).
