O Ibama multou oito pessoas em R$ 20 mil cada por maltratar uma capivara na zona norte do Rio de Janeiro. No total, as multas somam R$ 160 mil.
Essa é a primeira vez que o Ibama usa as novas regras de multa, que foram criadas pelo governo federal em 13 de março. Esse decreto ficou conhecido como “Cão Orelha”, nome dado após um cachorro comunitário ser morto por agressões em Florianópolis, Santa Catarina.
Com essas mudanças, as multas para crimes ambientais, como maus-tratos a animais silvestres, aumentaram de valores entre R$ 300 a R$ 3 mil para uma faixa entre R$ 1.500 a R$ 50 mil.
O ataque contra a capivara aconteceu na madrugada de sábado na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, Ilha do Governador. Os oito acusados usaram barras e ripas com pregos para agredir o animal.
Câmeras de segurança filmaram os homens batendo na capivara. O animal foi encontrado horas depois, ferido, em um terreno abandonado.
Equipes da Patrulha Ambiental da Prefeitura do Rio informaram que o animal ficou gravemente machucado, sendo sedado e levado para a Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres para tratamento.
Seis dos acusados foram presos preventivamente, e dois adolescentes envolvidos devem ser internados provisoriamente, conforme decisão da Justiça do Rio de Janeiro após a repercussão do caso.
Isaías Melquiades, José Renato Beserra, Matheus Henrique Teodósio, Paulo Henrique Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo foram presos e responderão judicialmente. A Vara de Infância e Juventude ordenou a apreensão dos dois adolescentes flagrados no ato.
As prisões foram baseadas nas imagens que mostraram o animal sendo perseguido e espancado. A capivara sofreu traumatismo de crânio, edemas e sangramento nasal.
Uma testemunha relatou à polícia que tentou impedir as agressões e também foi agredida.
Testemunhas também disseram que o grupo já havia perseguido outros animais anteriormente.
Os envolvidos enfrentam acusações por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. O juiz descreveu o ato como de “extrema crueldade” e afirmou que a prisão preventiva é necessária para manter a ordem pública.
“A gravidade do crime mostra a necessidade da prisão para garantir a ordem. As imagens amplamente divulgadas mostram a crueldade do crime. Por isso, converto a prisão em flagrante para prisão preventiva e determino a expedição do mandado de prisão”, disse o juiz Rafael Rezende.

