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quinta-feira, 26/03/2026

Ibama declara pirarucu espécie invasora fora da Amazônia e autoriza pesca para controle

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Em Brasília

GABRIEL GAMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) classificou o pirarucu (Arapaima gigas), um dos maiores peixes de água doce do mundo, como uma espécie invasora em localidades fora da Amazônia, área onde ele é originalmente encontrado.

Em uma norma publicada no dia 17, o órgão federal reconheceu o impacto ambiental negativo do peixe e autorizou a pesca e abatimento dele em outras regiões do país, desde que o objetivo seja controlar a população.

A venda do pirarucu será permitida somente no estado onde ele for capturado, e o Ibama pode confiscar produtos vendidos fora dessa regra.

Essa decisão causou críticas entre os produtores. A Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura) declarou que a medida afeta diretamente os investimentos, o planejamento produtivo e a segurança jurídica do setor.

O Ibama explicou que o pirarucu é um predador de topo de cadeia, com hábitos alimentares variados e oportunistas, capaz de ocupar diferentes ambientes. O governo informou que a pesca para controle visa reduzir danos à biodiversidade.

“Do ponto de vista ecológico, retirar esses peixes pode trazer benefícios ao diminuir a pressão predatória sobre outras espécies nativas. Comparando os riscos, é melhor remover o pirarucu do que deixar esse predador se espalhar em locais onde não é nativo”, afirmou o órgão em comunicado.

O Ibama publicou essa norma antes de concluir a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras Presentes no Brasil, que estava sendo feita pela Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade). Procuramos o órgão, mas não tivemos resposta até a publicação deste texto.

A Peixe BR manifestou surpresa com a forma como o processo foi conduzido. “Faltou diálogo com os produtores em uma questão tão delicada que tem impacto imediato no setor em todo o país”, disse a associação.

A Abrapes (Associação Brasileira de Fomento ao Pescado) reconhece a importância da norma do Ibama, mas aponta risco de problemas logísticos pela limitação da venda apenas no estado de captura.

“Achamos que o controle será mais eficiente se juntar incentivos econômicos com políticas públicas, permitindo a venda nacional dos pirarucus capturados para controle populacional, com rastreamento e fiscalização adequados”, declarou Júlio César Antônio, presidente da Abrapes.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção de pirarucu cultivado diminuiu nos últimos anos, atingindo 1.778 toneladas em 2024, uma queda de 17% em relação a 2021, quando foram produzidas 2.136 toneladas.

A lista da Conabio incluía 444 espécies e buscava criar regras para controlar o escape dessas espécies no ambiente natural, sem proibir seu uso ou cultivo. No entanto, o trabalho foi suspenso temporariamente em dezembro de 2025 após produtores de tilápia se posicionarem contra a classificação. O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) não informou se retomou as análises.

Fernando Becker, professor do departamento de ecologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), afirmou que a proliferação do pirarucu em alguns rios do Sudeste vem sendo observada há anos, com impactos nos ecossistemas e peixes nativos.

“Essa espécie tem ganhado muita atenção, mas as introduções em pesque-pagues geralmente não são registradas oficialmente nem divulgadas”, comentou o pesquisador.

O MMA anunciou que lançará nesta quinta-feira (26) um programa de pagamento por serviços ambientais para 5.000 pessoas que cuidam do pirarucu na Amazônia. O ministério informou que a iniciativa terá cerca de R$ 15 milhões, financiados pelo Fundo Verde do Clima, com apoio do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

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