FÁBIO PESCARINI
FOLHAPRESS
O Detran de São Paulo vai usar inteligência artificial para alertar sobre áreas com risco de acidentes nas vias públicas.
O projeto, que deve começar a funcionar em 2026, vai melhorar o sistema Infosiga, que monitora os acidentes de trânsito no estado de São Paulo.
Quando estiver ativo, o site vai se chamar Infosiga 4.0.
Em maio, haverá outra atualização que vai aumentar a quantidade de informações registradas por policiais militares e agentes de trânsito no aplicativo usado para anotar ocorrências.
Segundo o Detran, isso deve melhorar a qualidade dos dados do Infosiga.
O aplicativo usado pela Polícia Militar será disponibilizado às prefeituras, aumentando a padronização da coleta de dados, explica Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP.
As novidades serão apresentadas no evento ANDtech, sobre tecnologia de trânsito, que acontece até quarta-feira no Anhembi, em São Paulo.
A ideia é ampliar a capacidade de analisar grandes volumes de dados, para identificar padrões de risco para motoristas e pedestres antes que causem mortes ou ferimentos graves.
“Na prática, a inteligência artificial vai permitir análises mais rápidas e complexas, gerando alertas que ajudam na criação de políticas públicas”, afirma o Detran.
O Infosiga 4.0 poderá, por exemplo, alertar sobre ruas onde há colisões frequentes sem feridos, para que as prefeituras possam agir preventivamente, evitando acidentes graves. Hoje, isso não é possível.
“Essa melhoria na coleta de dados com IA vai possibilitar passar de análises reativas para preditivas, trazendo avanços no tratamento das informações”, afirma Roberta Mantovani.
O novo aplicativo terá um formulário digital mais detalhado, com campos que ainda não existem, permitindo registrar veículos como patinetes e scooters elétricas, que hoje não são bem contabilizados e estão em crescimento nas ruas e avenidas.
O formulário também vai indicar fatores de risco relacionados ao acidente, como o uso de álcool pelo motorista e a velocidade do veículo.
A localização do acidente será mais precisa, com geolocalização, corrigindo registros aproximados.
A classificação da gravidade dos ferimentos também será melhorada com uma metodologia americana que facilita comparações internacionais para melhorar a análise.
A reforma é feita em parceria técnica com a estatal Prodesp e empresas privadas.
Parte do projeto já foi apresentada ao Detran e está em fase de ajustes e validações técnicas.
“A expectativa é concluir até o fim do ano uma nova ferramenta analítica que ajuda a tomar decisões baseadas em evidências que ainda não são usadas pelo sistema”, explica o Detran.
O Infosiga foi atualizado no ano passado e passou a se chamar 3.0, apontando as ruas mais perigosas de São Paulo.
Com atualização mensal, o serviço oferece dados sobre mortes no trânsito no estado desde 2015. Desde 2019, inclui registros de acidentes sem vítimas fatais.
Atualmente, o site tem cerca de 5.000 acessos por mês.
