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sexta-feira, 23/01/2026

HUB procura voluntários para programa que evita diabetes tipo 2

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Em Brasília

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) estão recrutando voluntários para participar do programa Proven-dia, que tem como objetivo prevenir a diabetes tipo 2 em pessoas pré-diabéticas. Com cerca de 50 vagas disponíveis, o estudo será realizado no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e acompanhará os participantes por três anos, oferecendo exames periódicos gratuitos e suporte contínuo.

O projeto faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), patrocinado pelo Ministério da Saúde e coordenado pela Beneficência Portuguesa de São Paulo. Além do HUB, o programa acontece em outros 28 centros pelo país. Os voluntários serão divididos em três grupos: o PROVEN, com acompanhamento mais intenso e presencial; o TELE PROVEN, com atendimento remoto pela equipe da Beneficência Portuguesa; e o grupo Controle, sujeito apenas ao monitoramento. Todos os participantes realizarão os exames no HUB.

Kênia Baiocchi, coordenadora do Proven-dia, explica que essa divisão é essencial para avaliar a eficácia das intervenções. Cada centro acompanhará cerca de 50 pessoas durante três anos, buscando entender se mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, prática regular de exercícios e controle do estresse, conseguem evitar o desenvolvimento da doença em pré-diabéticos.

O programa começou a ser planejado há três anos e as coletas de dados iniciaram no ano passado. O objetivo principal é verificar se essas ações conseguem impedir a progressão da diabetes tipo 2.

Além do benefício individual, a pesquisa pode ajudar a fortalecer as políticas públicas de saúde. As ações são de baixo custo e podem ser aplicadas na atenção primária, gerando evidências para que protocolos similares sejam incorporados ao SUS.

Como participar

Para se candidatar, é necessário atender aos seguintes critérios: ter mais de 18 anos, possuir dispositivo com internet, morar a até 1 hora do HUB, apresentar resultado de hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%, estar com sobrepeso ou obesidade e não estar em acompanhamento individual de alimentação ou exercícios nos últimos seis meses.

Pessoas que têm diagnóstico de diabetes, fazem uso de remédios para controlar glicose, apresentam doenças renais, asma, doenças pulmonares crônicas, passaram por cirurgias no estômago, intestino ou fígado, ou têm histórico de infarto, angina ou AVC não podem participar.

O acompanhamento inclui consultas individuais ou em grupo, exames periódicos e definição de metas personalizadas, elaboradas junto com os participantes em um processo de diálogo e orientação contínua. Participação é voluntária, sem remuneração, mas com ajuda de custo. Interessados podem se inscrever pelo WhatsApp (61) 99841-5423 ou no Instagram @proven.unb.

Eliene Maciel, de 51 anos, é pré-diabética e integra o programa. Ela descobriu a condição em exame de rotina e decidiu participar para evitar complicações e melhorar a saúde. Desde que entrou no Proven-dia, adotou hábitos mais saudáveis e incorporou atividades físicas à sua rotina. Ela destaca o apoio da equipe de saúde como fundamental para o sucesso do processo.

Vivendo com a doença

Astra Oliver, estudante de Jornalismo da UnB, foi diagnosticado com diabetes tipo 2 em 2025. Ele relata que fatores como má alimentação, sedentarismo e problemas emocionais contribuíram para o surgimento da doença. Desde então, mudou seus hábitos, evitando alimentos industrializados e incorporando hábitos mais saudáveis, o que melhorou seus exames.

A avaliação do Proven-dia por Astra é positiva, ressaltando que a mudança de vida requer tempo e acompanhamento. Ele enfatiza que é preciso entender a diabetes como uma condição que envolve fatores múltiplos, incluindo aspectos sociais e emocionais, e não apenas individualmente.

Diabetes tipo 2 pode ser revertida

O Ministério da Saúde estima que 12% da população do Distrito Federal convive com diabetes, cerca de 200 mil pessoas. Muitos casos do tipo 2 não são diagnosticados devido à ausência de sintomas claros.

Isabela Carballal, endocrinologista do Hospital de Brasília Águas Claras, explica que a diabetes tipo 1 é autoimune, geralmente aparece na infância, e exige uso de insulina. Já a diabetes tipo 2 está ligada à resistência à insulina e hábitos de vida não saudáveis, como má alimentação, sedentarismo e peso acima do ideal.

O pré-diabetes ocorre quando a glicemia está acima do normal, mas ainda não caracteriza diabetes. Geralmente é resultado da combinação de múltiplos fatores, como excesso de peso e predisposição genética, e quase sempre não apresenta sintomas.

Sem tratamento, de 5% a 10% dos pré-diabéticos desenvolvem diabetes tipo 2 anualmente. No entanto, essa condição pode ser revertida com mudanças no estilo de vida, como perder peso, praticar exercícios, ter alimentação balanceada, dormir bem, reduzir o consumo de álcool e parar de fumar. Essas ações podem reduzir o risco da doença avançar em mais de 50%.

O acompanhamento médico contínuo é essencial, permitindo ajustes individualizados e maior adesão às mudanças necessárias, garantindo melhores resultados a longo prazo.

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